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Sunday, February 9, 2014

1Q84 - Haruki Murakami (Livro 1)

"Para fugir das obrigações, Tengo aprendeu desde cedo a não chamar atenção para si. Diante das pessoas ele reprimia suas habilidades, jamais expressava uma opinião, evitava se destacar e, na medida do possível, procurava anular sua própria existência. Desde criança, as circunstâncias de vida lhe ensinaram que precisava sobreviver sozinho, com suas próprias forças, sem contar com a ajuda de ninguém. Mas, na prática, uma criança não possui essa força. Por isso, quando ocorria uma forte ventania, ele se escondia e segurava firmemente alguma coisa para não ser levado pelo vento. Esse tipo de subterfúgio sempre o acompanhou desde criança, como os órfãos dos livros de Dickens." (1Q84, pg. 351)


Admito que ao iniciar a leitura desse livro me senti um pouco desanimada. Achei meio monótono e sem graça. Mas insisti. E com o passar das páginas a história foi ganhando contorno e fui me envolvendo com os personagens e o que ali se passava. Acabei de ler rapidinho e já comprei os outros dois livros. Eu não havia percebido de primeira, pensei que eram apenas dois livros, mas é uma trilogia. Estou ansiosa para ler os demais!

O autor divide o livro em capítulos dedicados aos dois personagens principais: Tengo e Aomame. Esses capítulos são intercalados, revelando aos poucos a trama e o papel de cada um deles no todo. Este volume procura descrever bem como são e como se comportam esses dois indivíduos e prepara o leitor para o que virá nos outros livros. 


A história se passa no ano de 1984, e o nome do livro se explica por Aomami se encontrar em um momento crítico em sua vida. O Q seria de 'interrogação', como se ela não soubesse ao certo quando estava vivendo. A obra envolve fantasia. Esse primeiro livro não deixa muito clara essa parte, mas já nos dá uma deixa do que virá nos próximos livros. 

Segundo artigo apresentado no G1: "A trama acompanha uma jovem chamada Aomame, que segue a enigmática sugestão de um taxista e começa a notar intrigantes discrepâncias no mundo à sua volta – até perceber que entrou em um universo paralelo. Enquanto isso, um aspirante a escritor chamado Tengo aceita um trabalho suspeito e sua vida começa a mudar. As narrativas de ambos convergem ao longo daquele ano, e surgem laços misteriosos que deixam os dois ainda mais próximos. Em se tratando de Murakami, é de se esperar que o cotidiano e o fantástico se misturem."

Na página 18 está a intrigante fala  do taxista para Aomame: "Nunca se esqueça de que as coisas não são o que aparentam ser. (...) Quando se faz algo incomum, as cenas cotidianas se tornam.. Digamos que se tornam ligeiramente diferentes do normal. Isso já aconteceu comigo. Mas não se deixe enganar pelas aparências. A realidade é sempre única."

Que venham os próximos livros! 

Trechos interessantes: 

"Digamos que a vida real não é  como a matemática. Na vida real as coisas nem sempre seguem o percurso mais curto. A matemática é, como eu poderia dizer... é algo por demais natural para mim. É como uma paisagem bonita. É apenas algo que está aí. Não é preciso substituí-la. Por isso, quando estou inserido no mundo da matemática, eu me sinto como que gradualmente transparente. às vezes, isso me dá medo." (Tengo em conversa com Fukaeri, pg. 72)

"- Pois então - disse ela -, é mais fácil estar do lado da maioria que rejeita do que da minoria. A gente pensa: 'Ufa! Que bom que não sou um deles.' Sempre foi assim em qualquer época, em qualquer sociedade: se você estiver do lado da maioria, não precisa se incomodar com esse tipo de problema.
- E, se você está com a minoria, tem de encarar a questão. 
- Acho que sim - disse ela, com uma voz triste e desanimada. - O fato de estar nessas situação, no minimo, faz com que a pessoa aprenda a lidar com ela." (Tengo em conversa com sua amante, pg. 108)

"Em algum momento, o mundo que ela conhecia havia desaparecido e saído de cena, e fora substituído por outro. Era como mudar a posição da agulha numa linha férrea. Ou seja, apesar de sua consci~encia, aqui e agora, estar conectada ao mundo anterior, o mundo atual era diferente. Em seu mundo anterior, as mudanças dos eventos ainda eram bem restritas." (Aomame conversando consigo mesma, pg. 155).

Essa edição: MURAKAMI, H. 1Q84. Livro 1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. 430 p.

Sunday, January 6, 2013

O LIVRO DE AREIA - Jorge Luis Borges

"A qualquer momento terei completado setenta e tantos anos; continuo dando aulas de inglês para alguns poucos alunos. Por indecisão ou por negligência ou por outras razões, não me casei, e agora estou só. Não sofro pela solidão; já é bastante esforço alguém tolerar a si mesmo e a suas próprias manias. Noto que estou envelhecendo; um sintoma inequívoco é o fato de que não me interessam ou surpreendem as novidades, talvez porque observe que nada de essencialmente novo há nelas e que não passam de tímidas variações." (O livro de areia - o congresso, pg. 21-22).
Encontrei esse livro em uma banca de jornal, o qual veio acompanhado de um outro exemplar, porém de poesia. Este ainda não li. O preço dos dois foi muito bom, o que me fez aproveitar essa oportunidade! Ainda não conhecia o autor, não havia lido nenhuma de suas obras, e esse livro me instigou a ler outras, futuramente. 

Deixando de lado detalhes de ordem diversa, foi uma leitura muito agradável e rápida. Linguagem fácil de entender. O autor divide o livro em 13 contos - se assim posso chamá-los -  que tratam de temas variados. Muita criatividade é apresentada nos textos. São histórias fantásticas que, apesar de muitas vezes serem curtas (2 ou 3 páginas, como "o disco"), te envolvem e te deixam com gostinho de 'quero mais'. Em algumas das histórias senti aquele desejo de saber mais, aquela vontade de descobrir o que vem depois... Por isso não leia buscando muita lógica nas histórias. O entender o texto se trata de sentir as palavras e o que o autor está tentando passar para o leitor. Indico fortemente a sua leitura!

Você pode adquirir o produto no site da Livraria Folha. Não há muito o que falar, há de se ler o livro para poder sorver todas as impressões! Mas abaixo apresento algumas passagens que achei interessante: 

"Meu sonho já durou setenta anos. Afinal, ao recordar, não existe ninguém que não se encontre consigo mesmo. É o que nos está acontecendo agora, só que somos dois. Você não gostaria de saber algo do meu passado, que é o futuro que o espera?" (Conversa entre ele e ele mesmo, mais jovem. Conto: o outro, pg. 9)

"Tudo isto é um milagre - conseguiu dizer - e milagres dão medo. Os que foram testemunhas da ressurreição de Lázaro devem ter ficado horrorizados." (Conversa entre ele e ele mesmo, mais jovem. Conto: o outro, pg. 14)

"A frase pretendia ser engenhosa e imaginei que não era a primeira vez que a pronunciava. Soube depois que não combinava com ela, mas o que dizemos nem sempre se parece conosco." (Ulrica, pg. 16)

"- Eu gostaria que este momento durasse para sempre - murmurei. 
- Sempre é uma palavra que não e permitida aos homens..." (Ulrica, pg. 18)

"Os anos não modificam nossa essência, se é que temos alguma; o impulso que me levaria, uma noite, ao Congresso do Mundo foi o que me trouxe, inicialmente, à redação da Última Hora." ( O congresso, pg. 23)

"Senti o que sentimos quando alguém morre: a angústia, já inútil, de que nada nos teria custado ter sido melhores." (there are more things, pg. 39)

"Era preciso que as coisas fossem inesquecíveis. Não bastava a morte de um ser humano pelo ferro ou pela cicuta para ferir a imaginação dos homens até o fim dos dias. O Senhor dispôs os fatos de modo patético." (A seita dos trinta, pg. 49)

"Também a mim a vida deu tudo. A todos a vida dá tudo, mas a maioria ignora isso. Minha voz está cansada e meus dedos fracos, mas escuta-me." (undr, pg. 67)

"Foi então que o desconhecido me disse:
- Olhe-a bem. Nunca mais a verá. 
Havia uma ameaça em sua afirmação, mas não na voz. 
Fixei-me no lugar e fechei o volume. Imediatamente o abri. Procurei em vão a figura da âncora, folha por folha." ( o livro de areia, pg. 96)

Sobre esta edição: BORGES, Jorge Luis. O livro de areia. São Paulo: MEDIAfashion, 2012. 104 p. Coleção Folha. Liberatura ibero-americana; v. 1)

Sunday, July 29, 2012

EL BOSQUE DE LOS PIGMEOS - Isabel Allende

"La reina estaba iluminada por un intenso resplandor interno. Los jóvenes la vieron tal como era y no en la forma en que había aparecido al principio, como una vieja miserable, puros huesos y harapos. En verdad, era una presencia formidable, una amazoa, una antigua diosa del bosque. Nana-Asante se había vuelto sabia durante esos años de meditación y soledad entre los muertos; había limpiado su corazón de odio y codicia, nada deseaba, nada la inquietaba, nada temía. Era valiente porque no se aferraba a la vida; era fuerte porque la animaba la compasión; era justa porque intuía la verdad; era invencible porque la sostenía un ejército de espíritus." (El Bosque de los Pigmeos)


Este é o terceiro livro que encerra a trilogia 'Las memorias del Águila y el Jaguar', elaborada por Allende, contando mais uma aventura vivida por Nadia, Alexander e Kate, juntamente com sua equipe de trabalho do National Geographic. Assim como o último livro (El Reino del Dragón de Oro) não gostei muito da história. Não me senti presa a lê-la. 

O livro trata da aventura desses personagens na África equatorial, mais especificamente, no Quênia, que vão à capital do país na intenção de escrever sobre uma reserva natural. Para chegar até a reserva, utilizaram o avião de Angie, mais uma personagem importante na trama. Fizeram suas excursões e passeios na reserva, ao lombo de um elefante. 

No decorrer da visita, encontraram o missioneiro Fernando, o qual os convenceu a irem procurar, com ele, seus companheiros missioneiros. Fernando não tinha notícia de seus colegas desde muito tempo, mas tinha indícios de onde poderiam estar. Kate, além de querer ajudar a ele, entendeu que também seria uma oportunidade de fazer uma boa reportagem. 

Durante a viagem, tiveram um problema com o avião e acabaram fazendo um pouso emergencial no meio da mata. Próximo do local buscado pelo irmão Fernando, acabaram encontrando pessoas que passavam no rio ao lado de onde o avião havia pousado. Após algumas negociações, essas pessoas concordaram em levá-los próximos à aldeia procurada. Já no caminho em terra firme, encontraram os pigmeos, que também desempenho papel importante. Estes os levaram até a aldeia almejada, que era dominada por  rei Kosongo, que com o comandante Mbembelé e o bruxo Sombe . A partir daí a história se desenrola de forma a libertar a aldeia e encontrar os missioneiros perdidos. 

Neste livro Allende deixa evidente a relação de amor existente entre Alexander e Nadia, que atingem a adolescência e começam a descobrir sentimentos diferentes da amizade. Mais sobre o livro pode ser lido em   espanhol aqui e em português aqui.

Algumas partes do livro:

"Tanto la población de Ngoubé como los pigmeos vivían en una realidad mágica, rodeados de espíritus, siempre temerosos de violar un tabú o cometer una ofensa que pudiera desencadenar fuerzas ocultas. Creían que las enfermedades son causadas por hechicería y por lo tanto se curan de la misma manera, que no se puede salir de caza o de viaje sin una ceremonia para aplacar a los dioses, que la noche está poblada de demonios y el día de fantasmas, que los muertos se convierten en seres carnívoros." (p. 207 - 208).

"Ellas también tendrían que luchar. Durante años habían soportado la esclavitud creyendo que si obedecían sus familias podrían sobrevivir; pero la mansedumbre de poco les había servido, sus condiciones de vida eran cada vez más duras. Cuanto más aguantaban, peor era el abuso que padecían." (p. 192, sobre as escravas pigmeias). 

"Los amigos se enteraron de que los espíritus rara vez intervienen en los acontecimientos del mundo material, aunque a veces ayudan a los animales mediante la intuición, y a las personas mediante la imaginación, los sueños, la creatividad y la revelación mística o espiritual. La mayor parte de la gente vive desconectada de lo divino y los minúsculos milagros cotidianos con los cuales se manifiesta lo sobrenatural. Se dieron cuenta de que los espíritus no provocan enfermedades, desgracias o muerte, como habían oído; el sufrimiento es causado por la maldad y la ignorancia de los vivos. Tampoco destruyen a quienes violan sus dominios o los ofenden, porque no poseen dominios y no hay modo de ofenderles. Los sacrificios, regalos y oraciones no les llegan; su única utilidad es tranquilizar a las personas que hacen las ofrendas." (p. 157)

Sobre esta edição: ALLENDE, Isabel. El bosque de los pigmeos. Buenos Aires: Sudamericana: 2004. 224 p.

Monday, August 29, 2011

EL REINO DEL DRAGÓN DE ORO - Isabel Allende

"Ninguno de los dos contaba las horas, porque el tiempo no les interesaba. El calendario es un invento humano; el tiempo a nivel espiritual no existe, le había eseñado el maestro a su alumno." (narrativa, pag. 9, El Reino del Dragón de Oro) 
Esse foi um livro interessante que trouxe alguns temas importantes. Mesclando os diversos ensinamentos do budismo, Allende conta a aventura vivida por Alexander, Nadia e Kate no Reino Proibido. Situado no meio dos picos do Himalaia, esse país segue uma cultura antiga e busca manter-se fora das influências ocidentais. Nesse país, o futuro rei é preparado por um monje budista durante anos, absorvendo aos poucos toda a sabedoria acumulada. 

Tensing é o monje que está ensinando a Dil Bahadur, o príncipe e futuro rei do país. Eles vivem nas encostas do Himalaia, longe das cidades, do conforto e da riqueza do palácio real. Já haviam passado 12 anos desde que o príncipe fora passado aos cuidados de Tensing para treinamento. 

Do outro lado do mundo, Kate, junto com Alexander, Nadia e sua equipe  do National Geographic, viaja para o Reino Proibido a fim de fazer uma reportagem sobre o país. Além dela, outras pessoas também estão interessadas no país e no lendário Dragão de Ouro, porém com intenções maliciosas. A trama se desenvolve em cima do encontro dos três 'grupos' de personagens, que passam por diferentes aventuras tentando salvar o Dragão de Ouro. 

Gostei mas não ameeeei! Não sei se porque li depois de Brumas de Avalon, mas a história não me deixou com aquela vontade insuportável de ler que eu sentia com o outro livro. Mas vale a pena. As pinceladas sobre o budismo são interessantes e estão inseridas no decorrer da história. Ah, lembrando que esse é o segundo livro da trilogia. O primeiro é "Ciudad de las Bestias".

Se abstraírmos um pouco, podemos pensar que Allende está preocupada com as questões culturais de cada região do planeta, que estão sendo influenciadas e até mesmo substituídas (em parte, claro) por aquelas ocidentais. Abstraindo mais um pouco, ela trata da existência das 'bestias', animais pré-históricos que vivem em um local isolado e que a humanidade em geral não tem acesso, as quais pouquíssimas pessoas sabem de sua existência. Daí surge uma questão: será que para os seres viventes, diferentes de nós, continuarem habitando o planeta eles têm que se esconder de nós?

Partes interessantes:

"El miedo no es real, Dil Bahadur, sólo está en tu mente, como todo lo demás. Nuestros pensamientos forman lo que suponemos que es la realidad" (Tensing a Dil Bahadur, pg. 13)

"Enfrenta los obstaculos a medida que se presenten, no pierdas energía temiendo lo que pueda haber en el futuro" (Alexander recordando as palavras do pai, pg. 94)

"Sabía que nada en el mundo es permanente, todo cambia, se descompone, muere y se renueva en otra forma; por lo tanto aferrarse a las cosas de este mundo es inútil y causa sufrimiento. El camino del budismo consistía en aceptar eso." (El rey del Reino Proibido, pg. 154)

"La tormenta arranca del suelo al fornido roble, pero no al junco, porque éste dobla. No calcules mi fuerza, sino mis debilidades" (Tensing a Dil Bahadur, pg. 166)

"... no importa lo que uno crea o no crea, sino lo que uno hace. No podían cazar un pájaro para comerlo, y menos podían matar a un hombre. Debían ver al enemigo como un maestro que les daba la oportunidad de controlar sus pasiones y aprender algo sobre sí mismos." (narrativa, pg. 194)

"Lo único cierto es que en este mundo todo cambia constantemente, Judit. El cambio es inevitable, ya que todo es temporal. Sin embargo, a los seres humanos nos cuesta mucho modificar nuestra esencia y evolucionar a un estado superior de conciencia. Los budistas creemos que podemos cambiar por nuestra propria voluntad, si estamos convencidos de una verdad, pero nadie puede obligarnos a hacerlo." (El Rey hablando con Judit, pg. 275)

Esta edição: ALLENDE, ISABEL. El Reino del Dragón de Oro. 5. ed. Buenos Aires: Debolsillo, 2011.  

Monday, July 25, 2011

AS BRUMAS DE AVALON - O PRISIONEIRO DA ÁRVORE - Marion Zimmer Bradley

"Nesse momento, acompanhando o restante da família real,caminhou até o altar para receber o pão santificado. Morgana, atenta ao seu lado, foi a única dentre todos  os familiares que não se aproximou do altar da comunhão; Morgause pensava desdenhosamente que Morgana era uma grande tola. Não só alienara o povo, como o mais piedoso dentre os vassalos a chamava de feiticeira e bruxa, e até de coisas piores entre eles. E, afinal, que diferença isso fazia? Uma mentira religiosa era tão boa quanto outra, ou não?" (Pensamentos de Morgause sobre Morgana, pg. 56).

Este livro apresenta o desfecho da história. Os personagens já estão mais velhos, fala-se bastante sobre as características físicas de agora - cabelos brancos, a fisionomia não tão jovial como antes - e fala-se também das lembranças de um tempo passado, de episódios que aconteceram nos livros anteriores. Os personagens começam a lamentar a jovialidade que não têm mais, de fatos e pensamentos que antes se mostravam tão importantes mas que agora já não fazem tanta diferença.

O dia de Pentecostes traz grandes surpresas para todos. Artur aguardava o dia para poder nomear, oficialmente, Galahad, filho de Lancelote, como seu sucessor. Enquanto Galahad se senta ao lado dos grandes reis, o filho de Morgana - e de Artur - Gwydion, é apresentado a todos. Ele é levado à festa por Morgause. Como ele não queria fazer votos em nenhuma igreja cristã, ele desafia Lancelote para uma luta, nos jogos do Pentecostes. Este acaba perdendo a luta, e Gwydion pede a Artur que seja nomeado um de seus cavaleiros devido a este feito. 

Morgana trama contra Artur, e o leva, junto com seu amante Acolon, ao mundo das fadas, onde eles lutam e Acolon falece. A intenção é que a Excalibur fosse tomada de Artur, mas este suportou bravamente a luta e saiu ferido, porém vivo, da luta. Morgana, sorrateira, rouba a bainha mágica que fez para Artur enquanto este se recuperava dos ferimentos. Ela é perseguida, mas consegue se desfazer da bainha ao jogá-la no lago de Avalon.

Morgana volta então para Avalon, onde descobre que Kevin havia roubado as relíquias sagradas. Nimue é chamada e ela desenvolverá um papel de grande importância agora. Como estava reclusa, e ninguém conhecia seu rosto, ela é levada para a corte de Artur e tramar a vingança contra Kevin. Ela deveria seduzí-lo, e levá-lo prisioneiro de volta a Avalon, onde seria castigado pelo roubo. Mas antes, em uma das festas de Pentecostes, acontece um "milagre" com a relíquia do cálice: Morgana, com a ajuda de Raven, ou por uma magia da Deusa, encarna um "anjo" e promove uma visão a cada um dos presentes. O cálice circula por entre todos, e todos provam do vinho que alí estava, e depois o cálice some. Cada um fala sobre uma coisa diferente que viu: uns viram a virgem Maria, outros um anjo, outros apenas uma forte luz... mas no fim os cavaleiros de Artur se separam para poderem buscar o santo Graal, e o único que fica a seu lado é Gwydion. 

Raven falece nesse mesmo dia: talvez pela grande força que despendeu para que a magia acontecesse. Morgana volta a Avalon, e agora espera até que Nimue faça seu trabalho. Nimue efetua um encanto em que tanto ela quanto Kevin se sintam apaixonados, e esse é o perigo: o encanto recai sobre os dois, e tudo que um sente, o outro sente também. Depois de alguns meses, Nimue volta para Avalon com Kevin, mas não suporta o sofrimento de ver o amado sendo executado. Ela se suicida no mesmo momento em que ele é morto, e que cai um raio e parte o grande salgueiro em dois. Kevin é então "enterrado" dentro da fenda da árvore, e Nimue encontrada no lago, morta. 

No meio tempo, Galahad, assim como vários dos cavaleiros de Artur, saiu em busca do graal e não volta mais: ao encontrá-lo, ele morre ao ver sua luz. Artur fica novamente sem herdeiros para seu trono. 

Gwydion trama contra Gwen e Lancelote: este mata alguns dos cavaleiros de Artur e foge com Gwen em um cavalo em disparada. Gwen convence Lancelote de que é melhor ela ir para o convento de Glastonbury, e ele volte para fazer as pazes com Artur. Ela então se enclausura alí para sempre. Lancelote volta para a corte, mas o livro não apresenta muitos detalhes do que acontece alí. 

Sabe-se então que Gwydion luta com Artur, que sai vencedor. Mas tudo isso é contado com poucos detalhes, como se fosse uma visão de Morgana. Ela encontra Artur ferido e fica junto a ele até que ele faleça. Lancelote vira padre, e após algum tempo, Morgana vai ao convento de Glastonbury onde reconhece a presença da Deusa nas imagens da virgem Maria. E assim termina a história de Avalon e do reino de Artur. 

É um livro ótimo, assim como todos os outros! Mas senti falta de mais detalhes dessa luta entre Gwydion e Artur. Vale muito a pena ler os quatro livros! Recomendo muito... já faz parte da lista dos meus preferidos! 

Passagens interessantes:

"O deus deles seria Uno, e o único e apagaria todas as referências à Deusa a quem servimos. Ouça-me, Kevin, será que você não vê como isso limita a sabedoria do mundo, se existir um único Ser, em vez de muitos? Acho que foi um erro transformar os saxões em cristãos. Creio que os antigos padres que viveram em Glastonbury tinham razão. Por que não poderiam existir muitos caminhos, os saxões seguindo o deles, nós o nosso, os seguidores de Cristo a cultuá-lo se o quisessem, sem perseguir a crença dos outros?" (Morgana em conversa com o Merlim, Kevin, pg. 95)

"Por que, Morgana perguntava-se, tem de ser assim? Tinha a ver com o conhecimento de que o mundo era como era por causa daquilo em que os homens acreditavam que era... ano após ano, nestas últimas três ou quatro gerações, a mente dos homens endurecera-se, passando a crer que havia um Deus, um mundo, um  modo de descrever a realidade, que todas as coisas que se intrometessem no reino dessa grande unidade tinham de ser más e demoníacas, e que o som de seus sinos e a sombra de seus lugares santos manteriam o mal afastado. E como mais e mais pessoas acreditavam nisto, era assim, e Avalon não passava de um sonho à deriva em um mundo quase inacessível." (Pensamentos de Morgana, pg. 125)

"Talvez a religião que exige que todo homem trabalhe por vidas e vidas para sua salvação seja demais para a humanidade. Eles não querem esperar pela justiça divina, mas querem vê-la agora. E este é o chamariz que esta nova raça de sacerdotes lhes prometeu." (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 198)

Esta edição: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon - O Prisioneiro da Árvore. Rio de Janeiro: Imago, 1985. 

Leia também:



AS BRUMAS DE AVALON - O GAMO-REI - Marion Zimmer Bradley

"... E naturalmente o pecado, o bem e o mal, tudo isso são mentiras contadas pelos padres e pelos homens. A única verdade é que crescemos, morremos e desaparecemos como esta folha de grama, aqui. Bem, vou participar da vigília de Gareth, como prometi. Pelo menos, ele me ama com toda a inocência, como um irmão mais novo, ou um filho. Eu teria medo de me ajoelhar ante o altar se acreditasse numa palavra do que os padres dizem, condenado como estou. E mesmo assim, como desejo que houvesse um Deus que me pudesse perdoar, e me fizesse saber que estou perdoado..." (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 40, Brumas de Avalon - O Gamo-Rei)
Assim como nos outros livros, o terceiro volume continua discutindo questões relacionadas a religião, paganismo e cristianismo. Coloquei algumas passagens que mostram essas discussões, e as posições dúbias dos personagens, que não sabem em quê acreditar. Provindos de uma cultura "pagã", se debatem entre aquilo que acreditam desde sempre e o que o cristianismo vem apresentar a eles. Durante toda a história ressurgem esses debates, em um momento que destaca essa insegurança e dúvida que recaem sobre toda a corte e a própria população. Ainda existem em algumas regiões o culto à Deusa, enquanto os padres já exercem influência sobre grande parte da população. E, claro, Gwenhwyfar possui importante papel na dispersão dessa religião.

Muitas coisas importantes acontecem nesse volume. Logo no início Gwen descobre sobre o filho de Artur e Morgana. Ela acha que Deus castigou ela e Artur por causa desse grande pecado e por isso ela não havia conseguido engravidar. Artur então é impelido por ela a confessar com o sacerdote e este lhe impõe uma sorte de penitências para que possa se redimir perante Deus, a começar na festa de Pentecostes. 

Logo nessa festa, Viviane é assassinada por Balim, que sempre achou que havia matado sua mãe, no livro anterior. A verdade é que sua mãe estava sofrendo muito e Viviane praticou a eutanásia. Viviane é assassinada, o Merlim Taliesin passa mal, Morgana desmaia... é uma confusão só que acaba com a festa de Pentecostes de Artur. Ainda nesse volume Taliesin morre e Kevin assume seu lugar como Merlim da Bretanha. 

Morgana é dada em casamento ao velho rei Uriens, de Gales do Norte. Mas antes ela havia se apaixonado por seu filho, Acolon. Daí já se sabe o que acontece. Casada com Uriens, ela se deita também com seu filho, Acolon. No norte ela é rainha e exerce sua influencia sobre Uriens e Acolon, de modo que as festividades de Beltane continuam naquela parte do reino de Artur. 

Elaine teve uma filha de Lancelote e, ao final do livro, ela busca a menina para que vá viver em Avalon, conforme o trato estabelecido entre as duas. Nimue é levada então para lá e vive com Raven, longe de todas as outras sacerdotisas. Ela terá, no próximo livro, um papel de grande importância e que destacará a necessidade de ter vivido reclusa.

Assim como os outros livros, este se mostra extremamente instigante! A leitura é gostosa e é praticamente impossível largá-lo antes de terminar! 

Passagens interessantes:

"Deus não me recompensou pela minha virtude. O que me faz pensar que ele me poderia castigar? E teve em seguida um pensamento que lhe fez medo: Talvez não exista Deus, nem qualquer dos deuses em ue as pessoas acreditam. Talvez seja tudo uma grande mentira dos padres, para que possam dizer para a humanidade o que fazer, o que não fazer, no que acreditar, dar ordens até mesmo ao rei." (Gwen, pensando em um momento em que estava com Lancelote, pg. 84, grifo da autora)

"Mas eles só são parentes meus, e próximos, pelas leis feitas por cristãos, que querem governar esta terra... Governá-la com uma tirania nova - não só querem fazer as leis, mas também dominar a mente, o coração e a alma. E estou eu sofrendo, na minha vida, toda a tirania dessa lei, para que, como sacerdotisa, saiba por que ela deve ser derrubada?" (Pensamentos de Morgana, pg. 163).

"Essa fé me parece demasiado simples. A idéia de que basta acreditar que Cristo morreu para nos redimir de todos os nossos pecados, de uma vez por todas... Mas eu conheço demais a verdade, a maneira pela qual a vida funciona, com vidas sucessivas nas quais nós mesmos, e só nós, é que podemos resolver as causas que colocamos em movimento e tentar compesnar o mal que fizemos. Não é lógico que um homem, por mais santo e bendito, pudesse redimir todos os pecados de todos os homens, cometidos em todas as suas eexistências. O que mais poderia explicar porque alguns homens têm tudo, e outros, tão pouco? Não, é uma artimanha cruel dos padres levar os homens a acreditar que têm o ouvido de Deus e que podem perdoar seus  pecados, em nome dele. Ah, eu gostaria que fosse verdade. E alguns padres são homens bons e sinceros." (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 198).

Esta edição: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon - O Gamo-Rei. Rio de Janeiro: Imago, 1985. 

Tuesday, July 19, 2011

AS BRUMAS DE AVALON - A GRANDE RAINHA - Marion Zimmer Bradley

"... E tenho medo de que tanto Avalon quanto os cristãos estejam errados e que não haja deuses nem Céu e nenhuma vida depois da morte, de modo que, ao morrer, eu pereça para sempre. Por isso, temo morrer antes de ter saboreado o que me cabe na vida". (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 78, As brumas de Avalon - A grande rainha)
Continuando o primeiro livro da trama... só um comentário: me arrependo de não ter escrito aqui antes de ter lido os livros 3 e 4 pois acabei misturando um pouco as expectativas e as próprias histórias entre eles. Esse livro aborda diferentes passagens das vidas dos diversos personagens. Vou tentar fazer um resumo das principais partes.

O livro se inicia contando sobre Morgana e sua gravidez. Morgana deu a luz a um menino, Gwidion, filho de Artur, na corte de Morgause, esposa de Lot e sua tia, após um parto muito dificil e doloroso. Dizia-se que ela não poderia mais ter filhos, devido ao parto traumático. Morgause, pensando no trono de Artur no futuro, não deixou que Morgana tomasse seu filho nos braços após o parto, e esta acabou por deixá-lo em sua corte para ali ser criado.

Gwenhwyfar é tomada por Artur como noiva. Lancelote foi buscá-la nas terras de seu pai - Leodegranz, juntamente com cavalos e guerreiros que foram dados a Artur. Lancelote se lembra de tê-la encontrado anteriormente em Avalon, quando ela se perdeu na ilha dos padres e acabou por ultrapassar as brumas. Junto com Morgana, nesse dia ele a conduz de volta a ilha e se encanta com a moça. Anos depois ele é encarregado de buscar a noiva de Artur, porém sem saber que era a moça por quem ele havia se encantado.  Ao primeiro encontro eles se apaixonam perdidamente, mesmo sendo um amor proibido. 

Morgana vai então ao casamento de Artur e Gwen. Igraine deixa o convento, onde passa quase todo o tempo após a morte de Uther, para participar das festividades. Após alguns anos Igraine morre no convento, chamando por Morgana. Mas esta estava perdida no mundo das fadas e nada soube...

Após alguns anos na corte de Artur, Morgana tenta voltar para Avalon, mas se perde no caminho e encontra o país das fadas. Passa ali um tempo que ela não se dá conta, até que ouve um grito de Raven e "acorda", como de um sonho profundo, e vai embora. Confusa por não ter conseguido entrar em Avalon, ela não se acha digna de ali voltar. Viaja, então, para a corte de Artur, a pé. Durante dias viajou sozinha, dormindo em casas abandonadas, e comendo o que encontrava pelo caminho. Parecia uma mendiga. No meio do caminho encontrou Kevin, o harpista, que foi indicado por Taliesin para ser o novo Merlim da Bretanha. Ele a deu de comer e ele a contou as coisas que haviam acontecido desde sua partida. Artur havia construído um novo castelo e para lá mudado: Camelot. Morgana foi com Kevin para o novo castelo e lá passou vários anos. 

Durante todo o tempo Gwen e Lancelote sofrem pelo amor proibido. Kevin se torna amante de Morgana: mesmo com seu corpo aleijado, ela o aceita e chega a amá-lo. Morgana também tentou ajudar Gwen a se engravidar: todas as vezes que ela engravidava, abortava em pouco tempo. Artur chegou a achar que a culpa era sua, e permitiu que Gwen tentasse lhe dar um filho pelas mãos de Lancelote. 

Passagens interessantes:

"Eu sabia, desde a primeira vez que trilhei este caminho, que haveria momentos de desespero total, quando se busca arrancar o véu do santuário, e quando se grita por ela, sabendo que não responderá porque não está ali, porque nunca esteve ali, não há Deusa, mas apenas nós mesmos, e estamos sós na zombaria dos ecos refletidos por um santuário vazio... Não há ninguém ali, nunca houve ninguém ali, e toda a Visão não passa de sonhos e alucinações..." (Viviane em um monólogo, pg. 146, Grifo da autora).

"Deus é uno, e há apenas um Deus. Todo o resto, são coisas de ignorantes que procuram colocar deuses numa forma qe se possa compreender, como aquela imagem da Virgem, ali, Senhora. Nada acontece neste mundo sem a bênção do Uno, que nos dará a vitória ou a derrota, como Deus quiser. O Dragão e a Virgem são ambos símbolos do apelo dos homens a algo superior a nós" (Taliesin em conversa com Gwenhwyfar, pg. 188).

"Á medida que envelheço, penso cada vez mais que talvez o que consideramos como o passar do tempo só acontece porque adquirimos o hábito, terrivelmente arraigado, de contar as coisas - os dedos de um recém-nascido, o aparecer e o retornar do sol -, e por isso pensamos com muita frequência no número de dias ou de estações que devem transcorrer antes que o grão amadureça, ou nosso filho cresça no ventre e seja dado à luz, ou que algum encontro muito desejado se concretize. E os regisramos de acordo com o passar do ano e do sol..." (Morgana divagando sobre os dias em que passou no país das fadas e o passar do tempo, pg. 215). 

"Mesmo assim, rainha, ninguém pode ser dono da consciência de outrem. Mesmo que isso lhe pareça maligno e vergonhoso, a senhora poderia pretender saber o que é certo ou errado para os outros? Nem mesmo os sábios podem saber tudo, e talvez os deuses tenham mais objetivos do que nós, com nosso parco conhecimento, podemos saber" (Taliesin em conversa com a Gwenhwyfar, pg. 230).

Esta edição: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon, livro 2: A Grande Rainha. Rio de Janeiro: Imago Editora LTDA, 1985.

Leia também:

As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia (1)

Friday, May 6, 2011

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER - Mark Twain

" Não me importo. Eu não sou toda a gente e não aguento aquela vida. É horrível vermo-nos assim amarrados e, mesmo sem querer, começa-se a resmungar. Desse modo já não me interessa a vida. Tenho de pedir licença para ir pescar; tenho de pedir licença para ir nadar; tenho de pedir licença para tudo; tenho de falar tão bem que só tenho vontade de ficar calado. Todos os dias vou um pouco para o sótão mascar fumo, senão morro, Tom. A viúva não me deixa fumar; não me deixa gritar; não me deixa bocejar, nem me espreguiçar, nem me coçar diante dos outros..." (Fala de Huck para Tom, pg. 272, As Aventuras de Tom Sawyer)

É um livro engraçado, que trata, como o título diz, das aventuras de um garoto de uma pequena vila às margens do rio Mississipi, nos EUA, no século XIX. É interessante ver como as crianças da época se divertiam, colhiam pequenos tesouros e criavam histórias fantásticas.

Tom é o personagem principal do livro, mas o divide com diversos outros personagens também importantes na trama. Tom é o "líder"  da traquinagem, e tem sempre uma nova idéia para brincar, explorar e aprontar alguma de suas proezas. Fiquei, a cada capítulo, esperando qual seria a próxima "aventura" em que ia se envolver.

Super fácil de ler, não usa linguagem complicada. Até então não havia lido nenhum livro de Mark Twain e quando encontrei esse na mini biblioteca aqui de casa, o escolhi na hora! O li em paralelo com Crônicas de Nárnia, mas acabei de lê-lo depois. Talvez por isso tive um viés na leitura, achando-o menos interessante, já que Nárnia me encantou tanto! Mas não deixo de indicá-lo para leitura.

Conforme a capa do livro: "Uma pequena epopéia realista, um panorama juvenil dos hábitos e superstições dos primeiros habitantes das planícies do meio-oeste norte-americano. Tom Sawyer, garoto esperto, desobediente e malicioso, sempre envolvido em complicações perigosas, é o pequeno herói desta obra destinada ao público juvenil - mas que também encanta adultos. O livro é marcado pela seriedade e amargura que constituem o substrato de todo o humorismo de Mark Twain."

Sobre essa edição: TWAIN, MARK. As aventuras de Tom Sawyer. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - C. S. Lewis

"É tão difícil explicar a diferença entre essa terra ensolarada e a antiga Nárnia, quanto dizer que gosto tinham as frutas daquele país. Talvez você consiga ter alguma idéia se pensar no seguinte: faça de conta que está em uma sala cuja janela dá para uma bonita baía, ou para um vale verdinho que se perde de vista entre as montanhas. Na parede oposta à janela existe um grande espelho. E, no espelho, o mar ou o vale são, num certo sentido, exatamente a mesma coisa que os reais. Ao mesmo tempo, porém, existe algo diferente: são mais vivos, mais maravilhosos, mais parecidos com os lugares de uma história que você, apesar de jamais ter ouvido, gostaria muitíssimo de escutar" (A última batalha, As Crônicas de Nárnia, pg. 731)

O que falar desse livro tão fantástico? Me entreguei à sua leitura com grande entusiasmo durante 2 meses... Um capítulo a cada dia e, quando não me aguentava, lia mais de um!!! Leitura fácil e tranquila, que nos instiga a ler mais e mais. E a tristeza que dá quando acaba o livro? Senti uma falta enorme ao acabar de lê-lo. Acho que por aqui já sabem minha opinião sobre o mesmo: é ótimo! E indico para todos!

Comprei a edição volume único, em que estão reunidas todas as Crônicas de Nárnia. São 7 histórias que são independentes, apesar de algumas delas fazerem referências a crônicas anteriores. Como são 7 diferentes histórias, não vou me ater a descrevê-las -  O Sobrinho do Mago; O Leão, a Feiticeira e o Gaurda-Roupa; O Cavalo e seu Menino; O Príncipe Caspian; A Viagem do Peregrino da Alvorada; A Cadeira de Prata; A Última Batalha. O intuito desse post foi servir de incentivo àqueles que ainda não o leram, e não de resumo ou resenha. É impossível resumir em poucas palavras tudo o que nos envolve em suas páginas...

Mas é interessante a relação que podemos fazer entre Aslam ( o Grande Leão) e Deus. "Os livros têm evidentemente uma temática cristã, sendo o leão a imagem de Deus e os sete livros a imagem da vida do cristão, começando pela Criação, ou Gênesis (O Sobrinho do Mago) e terminando pelo Fim dos Tempos, ou Apocalipse (A Última Batalha). O livro é cheio de mensagens cristãs de amor, paz e esperança em um ser maior e mais poderoso que todos nós (Aslam / Deus), mas também no respeito e na obediência a este ser, para nosso próprio bem." (Fonte:<http://www.infoescola.com/livros/as-cronicas-de-narnia/>, Acesso em 06/05/2011). Mais discussões a respeito desse tema nesse link.

Enfim, espero ter conseguido transmitir todo o prazer que tive lendo o livro! 

Boa leitura a todos =)

Sobre essa edição: LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia. Volume único. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. 

Wednesday, July 14, 2010

DEL AMOR Y OTROS DEMONIOS - Gabriel García Márquez


"Apenas se atrevió a preguntar: Y ahora? Ahora nada, dijo él. Me basta con que lo sepas"
(Del Amor y Otros Demonios - Gabriel García Márquez, pg. 146)

En el libro, el autor intenta explicar una leyenda relatada por su abuela cuando era niño y sin muchos detalles. En una visita a trabajo en un antiguo convento que fue vendido para la construción de un hotel, él encontró el cadáver de una niña que coincidía con la descripción de la chica de la leyenda. Ahí inicia su historia.

En general, se trata de la historia de una niña que é dejada por los padres a los cuidados de los esclavos de la casa donde viven. Como siempre ha convivido con las constumbres de ellos, la chica deja de conocer y respectar los habitos de "los blancos", además de aprender a la lengua de los africanos. Así que cuando es mordida por un perro rabioso, piensan que la chica va a morrir. El padre - un marqués - cuando supo del orcurrido, se mostró muy sensible y buscó un médico. Este lo dijo que la niña no presentava los señales de la enfermedad pero que podían manifestarse a cualquier momento.

Después, todavia con miedo de la muerte de la chica, el padre fue a visitar el obispo de la ciudad, que le dijo que satanas puede esconderse en las personas como se fuera una enfermedad. Y entonces lo dijo para llevar la niña a un convento donde se podrían exorcisarla. Y ahí empieza el amor de Delaura por la niña: aquél que debría exorcisarla.

"Del amor y otros demonios es una novela que te lleva a comprender la situación que se vive cuando una serie de factores no te permiten desarrollarte de acuerdo a la vida que has aprendido, cuando las creencias de otros perturban las tuyas. Nos cuenta como los prejuicios de una sociedad pueden marcar la vida de alguien sólo por ser diferente. Esta niña se crió dentro del mundo de los esclavos por dejadez de sus padres y al crecer y tener una actitud diferente y sufrir la mordedura de un perro al que se le atribuía la rabia fue juzgada como endemoniada, sin pensar que sólo había crecido en un ambiente contrario al que debió tener y con carencias afectivas. Y como se dice en el libro: Muchas veces el enemigo se vale mejor de nuestra inteligencia que de nuestros yerros, a veces atribuimos al demonio ciertas cosas que no entendemos, sin pensar que pueden ser cosas que no entendemos de Dios."
Fonte: Marta Navarro Herrera, Aceso en 14/07/2010.

Me gustó mucho!!! Y ahora va a salir su pelicula!!! =) vamos a verlo!!! El trailler yá está en el you tube!

PS. Me desculpen los errores de español!! Pueden corregirme! =)

Edicíon del libro:
Márquez, Gabriel García. Del amor y otros demonios. Debolsillo: España, 2008