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Wednesday, January 28, 2015

A MORTE DE IVÁN ILITCH E OUTRAS HISTÓRIAS - Liév Tolstóy

Este é um livro que, apesar de levar o nome de um dos contos, nele estão presentes mais três: Senhor e servo; O prisioneiro do Cáucaso; e Deus vê a verdade, mas custa a revelar. Apesar de relativamente antigos, publicados primeiramente no final do século 19, são contos muito atuais. As histórias são muito interessantes e é possível lê-las em uma sentada. 

Senhor e servo revela a história de um dono de terras (Vassili Andrêitch) que, com sua avareza e cobiça, se dispõe a enfrentar uma forte tempestade de neve a fim de comprar uma 'mata' por preço melhor e alcançar maior lucro. Levou consigo seu servo, Nikita, que, muito simples, levava roupas que não suportavam o frio que encontraram. Devido ao mau tempo, eles se perdem várias vezes no caminho e, mesmo sendo convidados a pernoitar na casa de um conhecido em um vilarejo que passaram, o teimoso 'Senhor' não desiste e decide continuar. O conto revela os sentimentos dos dois personagens principais durante o tempo em que estiveram perdidos e enterrados sob a neve.

O prisioneiro do Cáucaso conta a história de um oficial do exército chamado Jílin que recebeu uma carta de sua mãe, pedindo-o para visitá-la, pois estava muito velha. Jílin resolveu visitá-la e como a estrada era muito perigosa - o Cáucaso estava em guerra, e se algum russo se afastava do forte, era morto pelos tártaros ou arrastado pelas montanhas -, foi junto a um comboio que saiu de madrugada rumo ao próximo forte. Como estavam andando muito lentamente, pois havia pessoas de todas as idades e tipos, Jilin  e um companheiro resolveram ir sós. No meio do caminho, foram capturados pelos tártaros e levados para a montanha. O conto continua dando detalhes da vida de Jílin e Kostílin (o companheiro que também fora raptado) nas montanhas, e as tentativas de escaparem dalí. 

Deus vê a verdade, mas custa a revelar é sobre um comerciante que é condenado indevidamente por assassinar um colega. Na prisão, muitos anos depois, ele descobre quem foi o real culpado do assassinato. 

A morte de Iván Ilitch é um conto espetacular. Gostei bastante, super atual. Conta a vida de um indivíduo, desde criança até sua morte. Um homem trabalhador, dedicado aos seus ideais, vai subindo na vida e, ao mesmo tempo, gastando mais. Por fim, ele tem que trabalhar para sustentar o nível de vida que escolheu. Problemas com a esposa, financeiro e de saúde entremeiam sua rotina, e no fim da vida, adquire uma doença que o traz muita dor. É nesses momentos de dor e solidão que ele passa a refletir sobre sua vida.
"A história banal, mas cruel e amarga, de um homem comum e convencional que, durante longa e dolorosa agonia, relembra e reavalia sua vida tão correta e vazia, num contexto social, familiar e pessoal medíocre e hipócrita" (capa do livro)

Trechos interessantes:

"Vassili Adrêitch não tinha vontade de dormir. Ficou deitado, pensando. Pensava sempre a mesma coisa, sobre aquilo que constituía a única meta, o sentido, a alegria e o orgulho da sua vida: dinheiro. Quanto dinheiro já ganhara, e quanto ainda poderia ganhar; quanto dinheiro ganharam e possuem outras pessoas, suas conhecidas, e como ele, assim como elas, poderá ainda ganhar muito dinheiro. A compra do bosque de Goriátchkino era para ele assunto de enorme importância. Tinha esperança de ganhar, com esse bosque, de uma só vez, uns dez mil rublos. E ele se pôs a avaliar, em pensamento, um bosque que vira no outono, no qual contara todas as árvores numa área de mais de dois hectares." (Durante a noite, enquanto esperava o dia amanhecer sob a tempestade de neve)

"Três dias e três noites de sofrimentos terríveis, e a morte. Mas isto pode acontecer agora, a qualquer momento, também comigo", pensou ele, e por um momento ficou apavorado. Mas imediatamente, sem ele sabia como, veio-lhe em socorro o pensamento costumeiro, de que isso aconteceu com Iván Ilitch e não com ele, e que, com ele, isso não pode nem deve acontecer; que pensando assim ele se entregava a um estado de espírito deprimente, o que não se deve permitir, como ficar evidente pela expressão do rosto de Schwarz." (Piotr Ivánovitch, no velório de Iván Ilitch).

"Na medida em que a esposa ficava cada vez mais irritadiça e exigente, também Iván Ilitch começou a transferir cada vez mais o fulcro de sua existência para o serviço público. Começou a amar mais o seu trabalho e se tornou mais ambicioso que antes." (história de Iván Ilitch)

O livro: TOLSTÓY, Liév Nicoláievitch. A morte de Iván Ilitch e outas histórias. São Paulo: Editora Paulicéia, 1991.

Wednesday, April 9, 2014

A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO - Série Millennium - Livro 2 - Stieg Larsson


 "Em compensação, as putas dos países bálticos eram indefensáveis do ponto de vista econômico. As putas só davam dinheiro para o gasto e representavam, antes de mais nada, uma complicação capaz de a qualquer momento suscitar matérias hipócritas na mídia e debates naquele estranho parlamento sueco, chamado Riksdag, onde as regras do jogo, na opinião do gigante loiro, eram no mínimo pouco pouco claras. A vantagem das putas é que elas não representavam praticamente nenhum risco jurídico. Todo mundo gosta de puta - o procurador, o juiz, os tiras e um parlamentar aqui e ali. Ninguém ia ficar cavoucando para pôr um fim a essa atividade." (pg. 183)
 Continuação da trama iniciada no livro 1 da série Millennium, A Menina que Brincava com Fogo prima pelo suspense. Ao contrário do seu antecessor, o segundo livro já começa 'pegando fogo', instigando a leitura sem parar! O autor escreve de uma forma que não deixa margem para um 'daqui a pouco eu acabo'. Há muita ação, violência, suspense, confusão, enfim, um aglomerado de eventos que não dá descanso. 

Como dá para ver pelo intervalo entre as publicações dos posts, li esse livro bem rapidinho. Fui comprar o terceiro livro no fim de semana e não tinha! Tive que encomendar, pego amanhã. Nessa série não dei intervalo entre os livros como gosto de fazer. Diferentemente de livros como os da coleção Ramsés, este praticamente não repete informações do livro anterior, então não fica cansativo. 

Assim como o primeiro livro, este segundo continua apresentando as diversas facetas da violência contra a mulher, abordando também a corrupção de pessoas que deveriam estar agindo para proteger, a existência de gangues e organizações voltadas para a exploração do comércio sexual e contrabando, preconceito, a discussão acerca dos crimes eletrônicos, dentre outros temas que surgem no decorrer da obra.   

A curiosidade pelo terceiro livro já está me corroendo! Vou tentar colocar algumas passagens do texto, que criticam esses temas, sem dar spoilers. Mas é um pouco difícil, todo trecho tem alguma informação interessante que já entrega um pouco do futuro da história. 

"Mikael era homem. Podia ir de uma cama a outra sem que ninguém sequer piscasse. Ela era mulher, e o fato de ter um amante, um só, e isso com a aprovação do marido - e ainda por cima ser fiel a esse amante há vinte anos -, suscitava conversas no minimo interessantes nos jantares da cidade. As pessoas realmente não têm mais o que fazer! Refletiu um instante, então pegou o telefone e ligou para o marido." (Erika Berger, pg. 132)

"...Com exceção de algumas poucas mulheres que se beneficiam do comércio do sexo, não existe nenhuma outra forma de criminalidade em que os papéis masculino e feminino sejam condição indispensável para o crime. Também não existe outra forma de criminalidade com tão ampla aceitação na sociedade e tão pouco empenho para acabar com ela." (Mia Bergman, pg. 97)

Este livro: LARSSON, Stieg. A menina que brincava com fogo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 

Tuesday, February 18, 2014

O VELHO E O MAR - Ernest Hemingway

"'Sim', pensou o velho. 'Agora que já saltou mais de uma dúzia de vezes e encheu de ar os sacos ao longo do dorso, já não poderá ir morrer no fundo, de onde eu jamais poderia içá-lo. Dentro em pouco começará a descrever círculos e depois tenho de começar a manobrá-lo. Que é que teria feito com que ele começasse a lutar tão repentinamente?Teria sido a fome que o desesperou ou ter-se-ia assustado com qualquer coisa na escuridão da noite?Talvez tivesse sentido medo de repente. Mas era um peixe tão calmo e tão forte, e parecia tão confiante e corajoso. É estranho." (pg. 84)
O livro é de uma simplicidade grandiosa! O autor escolhe as palavras a dedo, e consegue passar para o leitor muito bem as cenas, as ações, os sentimentos. Também, não é para menos: estamos falando de Ernest Hemingway. Autor que influenciou, e influencia até hoje, muitos autores contemporâneos e posteriores a ele com toda a sua maneira peculiar e particular de escrever e contar suas histórias. Com esta obra Hemingway ganhou o Prêmio Pulitzer. 

A leitura é muito rápida e tranquila. A obra conta a história de um pescador que há muito não tinha um bom dia de pesca e se arrisca até o alto mar para conseguir pegar um enorme peixe. Esse seria o maior desafio de sua vida. Ele passou 3 dias em alto mar, sozinho, comendo peixe cru e com apenas uma garrafinha de água. Ao final, ele consegue retornar à sua vila mas sem seu sonhado e suado prêmio. 

O autor conta a história de forma realista e não romanceia nem dramatiza as passagens: simplesmente conta o que se passa. A história me pareceu um tanto desmotivadora, ou pessimista, do tipo se for 'muita areia para o meu caminhãozinho', melhor não me arriscar. O personagem se arrisca solitário pelo alto mar e volta vivo, sim, porém todo machucado e sem a recompensa pela qual tanto sonhou e lutou, sem dormir ou comer por 3 dias. Há controvérsias. Outras pessoas acreditam que o livro reforce a questão da persistência, tomando-a como algo bom. Deixo em aberto. O autor suicidou-se em 1961, quando se encontrava em um período de decadência física e mental. Talvez esse fato tenha refletido um pouco no tom da escrita.

Algumas informações sobre o livro: "O Velho e o Mar é uma obra gestada em 1951, quando o autor se encontrava em Cuba. Foi lançada em 1962, e foi o derradeiro trabalho do escritor a ser editado não postumamente, sendo considerado seu clássico por excelência." 
Fonte: <http://www.infoescola.com/livros/o-velho-e-o-mar/>.

Alguns trechos interessantes: 

"'Imagine o que seria se um homem tivesse de tentar matar a lua todos os dias', pensou o velho. 'A lua corre depressa. Mas imagine só se um homem tivesse de matar o sol. Nascemos com sorte.'" (pg. 76) 

"Já agora, velho Santiago, você está ficando com a cabeça confusa. Você precisa conservar-se lúcido. Conserve-se lúcido e aprenda a sofrer como um homem. Ou como um peixe." (pg. 93)

"Então o peixe voltou à vida já com a morte nele e ergueu-se no ar mostrando o seu enorme comprimento e a sua enorme largura e todo o seu poder e toda a sua beleza. Parecia flutuar no ar, por cima do velho. Em seguida caiu n´água com um estrondo que lançou uma torrente de água sobre o barco e o pescador." (pg. 95)

"Era bom demais para durar. Gostaria que, afinal, houvesse sido tudo um sonho e que nunca tivesse pescado o peixe e que estivesse agora na minha cama deitado em cima dos meus velhos jornais." (pg. 104)

Esta edição: HEMINGWAY, ERNEST. O velho e o mar. 77a. ed. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil, 2012. 128 p. 

Sunday, June 30, 2013

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO - José Saramago

"(...) Este é o seu dia de morrer. Mãe, os cordeiros que de ti nasceram terão de morrer, mas tu não hás-de querer que morram antes do seu tempo, Cordeiros não são homens, muito menos se esses homens são filhos, Quando o Senhor mandou a Abraão que matasse seu filho Isaac, não se percebia então a diferença, Sou uma simples mulher, não te sei responder, só te peço que abandones esses maus pensamentos, Ó minha mãe, os pensamentos são o que são, sombras que passam, e não são bons nem maus em si mesmos, só as ações é que contam, Louvado seja o Senhor que me deu um filho sábio, a mim que sou uma pobre ignorante, mas sempre te digo que essa não é a ciência de Deus, Também se aprende com o Diabo, E tu estás em poder dele, Se foi pelo poder dele que este cordeiro teve a sua vida salva, alguma coisa se ganhou hoje no mundo. Maria não respondeu. (...)" (Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago, 1991 - 46a reimpressão - pg. 254)
Havia tempo que eu queria ler esta obra, mas sempre me prendia a outros livros e autores. Então ganhei este de presente de Natal, oportunidade mais que bem vinda para concluir mais uma leitura de Saramago. Já familiarizada com as características do autor, achei o texto bem tranquilo de ler.

A história, como o próprio nome diz, traz a vida de Jesus Cristo desde os acontecimentos antes de seu nascimento até o momento de sua morte. Desconhecedora que sou do texto bíblico, não vou afirmar quais partes do texto foram abrangidas ou não (mais um estímulo para ler a bíblia!). Mas o que me chamou a atenção é a forma que o autor apresenta os personagens, trazendo a imagem de que, antes de tudo, são pessoas 'comuns', que têm suas necessidades, seus sentimentos, seus medos, suas dúvidas e seus desejos. Isso perpetua por todo o texto, o que me fez sentir grande compaixão pelo personagem principal. Como disse no post sobre o livro Caim , pessoas devotas fervorosas provavelmente não irão gostar do livro, visto que ele apresenta este 'outro lado' dos personagens. 

Interessante a crítica tecida por José Paulo Paes, na contracapa do livro: "(...) Na que é de justiça reconhecer a melhor prosa de ficção da língua portuguesa de nossos dias, José Saramago nos conta mais uma vez a mesma história que vem sendo contada há tantos séculos. A mesma? Sim, se se tiver em vista tão só os personagens e os sucessos da fábula. Não, se se atentar para a nova carnadura de que aqui se revestem. Interessado menos na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, a arte magistral de Saramago excele no dar corpo às preliminares e à culminância do drama da Paixão, presentificando-lhes as cores, cheiros, sons, movimentos, esmiuçando-lhes as ambiguidades e implicações em busca de significados recônditos por sob os ostensivos" (Texto presente na contracapa do livro).

Como de costume, passarei para os trechos interessantes do livro:

"O escriba endireitou lentamente a cabeça, olhou-o com a expressão de quem acabasse de sair de um sonho, e, após um longo, quase insuportável silêncio, disse, A culpa é um lobo que come o filho depois de ter devorado o pai, Esse lobo de que tu falas já comeu meu pai, Então só falta que te devore a ti, E tu, na tua vida, foste comido ou devorado, Não apenas comido e devorado, mas vomitado". (Conversa entre Jesus e um escriba no Templo, após a morte de José, pg. 213)

"(...)Eu avisei-te, disse Maria, com força, Avisaste-me quando o mal estava feito, se mal foi, que eu olho para mim e não o encontro, respondeu Jesus, Não há cego tão cego como aquele que não quer ver, disse Maria. Estas palavras enfadaram muito Jesus, que respondeu, repreensivo, Cala-te mulher, se os olhos do teu filho viram-no depois de ti, mas estes mesmos olhos, que para ti parece que estão cegos, viram também o que nunca viste e com certeza não verás. A autoridade do filho primogênito e a dureza do tom, além das enigmáticas palavras finais, fizeram ceder Maria, mas a sua resposta ainda levou uma última advertência, Perdoa-me, não foi minha intenção ofender-te, queira o Senhor guardar-te sempre a luz dos olhos e a luz da alma, disse." (Conversa entre Jesus, Maria e Tiago, quando Jesus tentara ajudar seu irmão nas atividades de carpintaria, pg. 299)

"De que se trata, perguntou Jesus, agora sem disfarçar o interesse, Todo homem, respondeu Deus, em tom de quem dá lição, seja ele quem for, esteja onde estiver, faça o que fizer, é um pecador, o pecado é, por assim dizer, tão inseparável do homem quanto o homem se tornou inseparável do pecado, Não respondeste à minha pergunta, Respondo, sim, e desta maneira, a única palavra que nenhum homem pode repelir como coisa não sua é Arrepende-te, porque todos os homens caíram em pecado, nem que fosse uma só vez, tiveram um mau pensamento, infringiram um costume, cometeram um crime menor ou maior, desprezaram quem deles precisou, faltaram aos deveres, ofenderam a religião e os seus ministros, renegaram a Deus, a esses homens não terás de dizer mais do que Arrependei-vos Arrependei-vos Arrependei-vos (...) (Conversa entre Jesus, Deus e o Diabo no barco, pg. 376).


Dados dessa edição: Saramago, José. O Evangelho segundo Jesus Cristo. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. (46a reimpressão).

Friday, May 6, 2011

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - C. S. Lewis

"É tão difícil explicar a diferença entre essa terra ensolarada e a antiga Nárnia, quanto dizer que gosto tinham as frutas daquele país. Talvez você consiga ter alguma idéia se pensar no seguinte: faça de conta que está em uma sala cuja janela dá para uma bonita baía, ou para um vale verdinho que se perde de vista entre as montanhas. Na parede oposta à janela existe um grande espelho. E, no espelho, o mar ou o vale são, num certo sentido, exatamente a mesma coisa que os reais. Ao mesmo tempo, porém, existe algo diferente: são mais vivos, mais maravilhosos, mais parecidos com os lugares de uma história que você, apesar de jamais ter ouvido, gostaria muitíssimo de escutar" (A última batalha, As Crônicas de Nárnia, pg. 731)

O que falar desse livro tão fantástico? Me entreguei à sua leitura com grande entusiasmo durante 2 meses... Um capítulo a cada dia e, quando não me aguentava, lia mais de um!!! Leitura fácil e tranquila, que nos instiga a ler mais e mais. E a tristeza que dá quando acaba o livro? Senti uma falta enorme ao acabar de lê-lo. Acho que por aqui já sabem minha opinião sobre o mesmo: é ótimo! E indico para todos!

Comprei a edição volume único, em que estão reunidas todas as Crônicas de Nárnia. São 7 histórias que são independentes, apesar de algumas delas fazerem referências a crônicas anteriores. Como são 7 diferentes histórias, não vou me ater a descrevê-las -  O Sobrinho do Mago; O Leão, a Feiticeira e o Gaurda-Roupa; O Cavalo e seu Menino; O Príncipe Caspian; A Viagem do Peregrino da Alvorada; A Cadeira de Prata; A Última Batalha. O intuito desse post foi servir de incentivo àqueles que ainda não o leram, e não de resumo ou resenha. É impossível resumir em poucas palavras tudo o que nos envolve em suas páginas...

Mas é interessante a relação que podemos fazer entre Aslam ( o Grande Leão) e Deus. "Os livros têm evidentemente uma temática cristã, sendo o leão a imagem de Deus e os sete livros a imagem da vida do cristão, começando pela Criação, ou Gênesis (O Sobrinho do Mago) e terminando pelo Fim dos Tempos, ou Apocalipse (A Última Batalha). O livro é cheio de mensagens cristãs de amor, paz e esperança em um ser maior e mais poderoso que todos nós (Aslam / Deus), mas também no respeito e na obediência a este ser, para nosso próprio bem." (Fonte:<http://www.infoescola.com/livros/as-cronicas-de-narnia/>, Acesso em 06/05/2011). Mais discussões a respeito desse tema nesse link.

Enfim, espero ter conseguido transmitir todo o prazer que tive lendo o livro! 

Boa leitura a todos =)

Sobre essa edição: LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia. Volume único. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. 

Tuesday, June 22, 2010

PASSEIO AO FAROL - Virgínia Woolf

"Da mesma forma, ao se regressar de um passio, ou após uma doença - antes que os hábitos voltassem novamente a se tecer na superfície das nossas vidas -, sentia-se essa mesma surpreendente sensação de irrealidade; sentia-se algo emergir. A vida jamais era tão brilhante como nesse momento."(Passeio ao Farol, pg. 172)
Publicado em 1927, o livro "Passeio ao Farol", de Virgínia Woolf (1882 - 1941), trata da história de uma família em três momentos distintos. Inicialmente, a família completa, liderada pela mãe; em um segundo momento retrata-se a morte da mãe e dois irmãos; e num terceiro momento são apresentadas as perspectivas sobre essa família, agora liderada pelo pai. 

A autora trata de descrever minuciosamente os pensamentos de seus personagens a respeito das diferentes temáticas e pessoas que entram no enredo. De início a leitura se mostrou difícil, já que a autora passa do pensamento de uma pessoa para outra sem intervalos, além de escrever grandes parágrafos. A linguagem não é simples, mas após algumas páginas e maior intimidade com sua forma de escrita, a leitura se torna prazeroza e interessante. 

"Em seus livros mais importantes, está presente um procedimento renovador: o enredo é praticamente dissolvido, reduzindo-se a um fio mínimo, a uma espécie de atmosfera que liga as personagens. Um acontecimento exterior qualquer desencadeia idéias e seqüencias de idéias que levam a personagem a mover-se com liberdade na consciência, transitando do passado ao presente e vice-versa." (Passeio ao Farol, pg. 190). 

"Os limites da ficção realista com técnicas de simultaneidade alicerçadas naquilo que se chamou, a partir de William James, de "fluxo da consciência", permitiu-se a integração, na estrutura da narrativa, de momentos de iluminação (as epifanias de Joyce ou Proust) e criou-se, por outro lado, uma nova concepção do tempo narrativo a que já se chamou de "forma espacial do romance". Neste sentido, embora a obra tenha um plano claramente delineado, as três partes, separadas por dez anos de experiências, antes confundem do que clarificam a cronologia porque o tempo que passa, ou passou, como está sobretudo na segunda parte, não se desprega da experiência subjetiva e da memória dos personagens."

Sobre essa edição do livro: 
Woolf, Virgínia. Passeio ao farol. Círculo do livro, 1987. Coleção Grandes Autoras, capa dura. 

Friday, May 21, 2010

CAIM - José Saramago


“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós entendemos a ele.” 
(José Saramago, Caim, São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p.88)

"Se, em 'O Evangelho segundo Jesus Cristo', José Saramago nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo, involuntária, entre criador e criatura.

Para atravessar esse caminho árido, um deus as turras com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem, resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o melhor dos julgamentos. Tal como o diabo de 'O Evangelho', o deus que o leitor encontra aqui não é o habitual dos sermões: ao reinventar o Antigo Testamento, Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem ao mesmo tempo complexa e irônica, cujo tom de farsa da narrativa só faz por acentuar. 

A volta aos temas religiosos serve, também, para destacar o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: aqui, a capacidade de tornar nova uma história que conhecemos de cabo a rabo, revelando com mordacidade o que se esconde nas frestas dessas antigas lendas. Munido de ferina veia humorística, Saramago descreve uma estranha guerra entre o homem e o senhor. Mais que isso, investiga a fundo as possibilidades narrativas da Bíblia, demonstrando novamente que, ao recontar o mito e confrontar a tradição, o bom autor volta à superfície com uma história tão atual e relevante quanto se pode ser". 
Fonte: capa do livro. 

Acho que essa resenha apresentada na capa do livro explica muito bem o que o leitor vai encontrar nas páginas de "Caim". O livro é de fácil leitura e muito me agradou lê-lo. Ver a história sob uma perspectiva totalmente diversa daquela que estamos acostumados nos faz ter uma visão crítica acerca do que temos como verdade. O que é ali apresentado me incitou a repensar e refletir sobre o que é deus e tudo aquilo que acredito (ou não) e levo comigo. 

Para aqueles que são muito religiosos, não aconselho a sua leitura! A forma como Saramago apresenta os fatos pode gerar certo desconforto.   

Thursday, February 11, 2010

PANTALEÓN E AS VISITADORAS - Mario Vargas Llosa

Antes de comprar novos livros, decidi por ler todos os que estão aqui em casa. Uma coleção variada e antiga, que está parada na estante, e que há muito não é lida. No resgate desses livros, acabei por ler a edição de 1973 de "Pantaleón e as visitadoras", da editora Círculo do Livro. 

O livro trata da história de Pantaleón Pantoja, um  recém- promovido capitão do exército peruano, que recebe a missão de estruturar um sistema de visitadoras - prostitutas volantes - para servir aos postos e guarnições militares presentes na selva amazônica. O objetivo era diminuir o número de estupros na região. Panta era um membro exemplar do exército, que vivia com sua esposa (Pochita) e sua mãe de forma simples e fiel. No decorrer da trama, Pochita tem uma filha, Panta se torna o "rei" da prostituição na região, acaba por se envolver com a prostituta mais bonita (a Brasileira), e é abandonado pela esposa. A presença de um sistema de visitadoras acaba por criar atritos com a igreja, a imprensa e a população local. Paralelamente à história de Panta, surge um profeta popular - o irmão Francisco - que arrebanha cada vez mais seguidores para cerimônias de crucificação de animais e, ocasionalmente, humanos. 

"O livro não tem propriamente um narrador. Sua estrutura alterna capítulos feitos de diálogos com outros compostos pelos textos mais diversos: cartas, memorandos do Exército, notícias de jornal, programas radiofônicos. Compõe-se um romance polifônico e polimorfo, que convoca o leitor a participar da construção da história, juntando os fragmentos e preenchendo os espaços vazios." Fonte:<http://biblioteca.folha.com.br/1/noticias/2003091301.html>  

A título de curiosidade, a editora "Círculo do Livro" foi lançada em 1973 e vendia seus livros por um sistema de "clube e sócios". Cada sócio era obrigado a adquirir uma obra por ciclo por meio de catálogos com os diferentes títulos disponíveis. Eram livros feitos em capa dura e oferecidos a preços competitivos. Não consegui descobrir o fim da empresa, mas continuarei procurando. 

Eu gostei do livro e recomendo. Além do livro há também o filme, de mesmo nome, que foi lançado em 1999 no Peru. Não cheguei a vê-lo ainda, mas assim que possível o farei. Curiosidades sobre o filme - encontrados no site adorocinema.com
  • Pantaleón e as Visitadoras foi o único filme produzido no Peru em 1999.
  • Este é o 2º livro de Mario Vargas Llosa que é adaptado para o cinema pelo diretor Francisco J. Lombardi. O anterior foi La Ciudad y los Perros (1985). 
  • Refilmagem de Pantaleón y las Visitadoras (1975), que foi dirigido pelo próprio Mario Vargas Llosa.
  • Foi exibido no Festival do Rio 2000
Mais informações sobre o filme: Pantaleón e as visitadoras