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Wednesday, April 9, 2014

A MENINA QUE BRINCAVA COM FOGO - Série Millennium - Livro 2 - Stieg Larsson


 "Em compensação, as putas dos países bálticos eram indefensáveis do ponto de vista econômico. As putas só davam dinheiro para o gasto e representavam, antes de mais nada, uma complicação capaz de a qualquer momento suscitar matérias hipócritas na mídia e debates naquele estranho parlamento sueco, chamado Riksdag, onde as regras do jogo, na opinião do gigante loiro, eram no mínimo pouco pouco claras. A vantagem das putas é que elas não representavam praticamente nenhum risco jurídico. Todo mundo gosta de puta - o procurador, o juiz, os tiras e um parlamentar aqui e ali. Ninguém ia ficar cavoucando para pôr um fim a essa atividade." (pg. 183)
 Continuação da trama iniciada no livro 1 da série Millennium, A Menina que Brincava com Fogo prima pelo suspense. Ao contrário do seu antecessor, o segundo livro já começa 'pegando fogo', instigando a leitura sem parar! O autor escreve de uma forma que não deixa margem para um 'daqui a pouco eu acabo'. Há muita ação, violência, suspense, confusão, enfim, um aglomerado de eventos que não dá descanso. 

Como dá para ver pelo intervalo entre as publicações dos posts, li esse livro bem rapidinho. Fui comprar o terceiro livro no fim de semana e não tinha! Tive que encomendar, pego amanhã. Nessa série não dei intervalo entre os livros como gosto de fazer. Diferentemente de livros como os da coleção Ramsés, este praticamente não repete informações do livro anterior, então não fica cansativo. 

Assim como o primeiro livro, este segundo continua apresentando as diversas facetas da violência contra a mulher, abordando também a corrupção de pessoas que deveriam estar agindo para proteger, a existência de gangues e organizações voltadas para a exploração do comércio sexual e contrabando, preconceito, a discussão acerca dos crimes eletrônicos, dentre outros temas que surgem no decorrer da obra.   

A curiosidade pelo terceiro livro já está me corroendo! Vou tentar colocar algumas passagens do texto, que criticam esses temas, sem dar spoilers. Mas é um pouco difícil, todo trecho tem alguma informação interessante que já entrega um pouco do futuro da história. 

"Mikael era homem. Podia ir de uma cama a outra sem que ninguém sequer piscasse. Ela era mulher, e o fato de ter um amante, um só, e isso com a aprovação do marido - e ainda por cima ser fiel a esse amante há vinte anos -, suscitava conversas no minimo interessantes nos jantares da cidade. As pessoas realmente não têm mais o que fazer! Refletiu um instante, então pegou o telefone e ligou para o marido." (Erika Berger, pg. 132)

"...Com exceção de algumas poucas mulheres que se beneficiam do comércio do sexo, não existe nenhuma outra forma de criminalidade em que os papéis masculino e feminino sejam condição indispensável para o crime. Também não existe outra forma de criminalidade com tão ampla aceitação na sociedade e tão pouco empenho para acabar com ela." (Mia Bergman, pg. 97)

Este livro: LARSSON, Stieg. A menina que brincava com fogo. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. 

Saturday, January 22, 2011

PEQUENA ABELHA - Chris Cleave

"Não se pode enxergar além do dia porque vocês levaram o amanhã. E porque vocês têm o amanhã diante de seus olhos, não enxergam o que está sendo feito hoje." (Pequena Abelha, Chris Cleave, pg.188)
É um livro bem escrito, que conta uma história interessante. Trata da vida de duas mulheres que se encontram por acaso, no início, mas que, posteriormente, têm suas vidas ligadas. Uma nigeriana (Pequena Abelha) e uma inglesa (Sara). A primeira vive um grande drama e a segunda aparece em sua vida para tentar auxiliá-la em sua batalha. Em um segundo momento, as vidas das duas pessoas voltam a se encontrar e elas passam a se ajudar mutuamente. É uma história forte, que nos chama a atenção sobre a situação precária - e perigosa -  que muitas pessoas na África vivem e também a condição delas no momento em que tentam mudar de país. 

O autor utiliza as duas personagens para contar a trama. Cada capítulo é narrado por uma delas, prevalecendo o ponto de vista da mesma. No inicio parece um pouco confuso, mas no fim, tudo se encaixa e a história é contada. Após essa adaptação inicial, fica bem fácil de ler. 

Vou optar por não falar muito da história, pois o próprio autor pede para não o fazer na capa do livro! E realmente, se eu contar o final, perde a graça. A trama é dividida em dois momentos e locais: primeiro, na Nigéria, onde Pequena Abelha e sua irmã (Nkiruka) encontram-se com Sara e seu marido (Andrew) em uma das praias do país. As duas, ainda crianças, fugiam da perseguição de soldados que foram pagos para exterminar a aldeia de onde vinham. Em um segundo momento, Pequena Abelha foge para Inglaterra, e lá, depois de dois anos presa em um 'Centro de detenção para imigrantes', procura por Andrew e Sara, e é quando suas vidas se encontram novamente. Enfim, resumidamente, é essa a história. 

Abaixo selecionei alguns trechos que achei interessantes e que refletem um pouco da vida das duas personagens principais:

"A morte, claro, é um refúgio. É para onde você vai quando um nome novo ou uma máscara e uma capa não conseguem mais escondê-lo de si mesmo. É para onde você corre quando nenhum dos principados da sua consciência lhe concede asilo." (pg.30)

"Foi horrível para mim não ajudar o homem, mas eu estava decidida, oscilando entre dois tipos de vergonha. Por um lado, a vergonha de não cumprir uma obrigação humana. Por outro, a loucura de ser a primeira de uma multidão a ousar um gesto." (pg.39)

"Esse é o problema da felicidade - ela é toda construída em cima de alguma coisa que os homens querem." (pg. 85)

"Não sei porque a pequena poça de urina me fez começar a chorar. Não sei por que a cabeça da gente escolhe essas pequenas coisas para nos fazer desmoronar." (pg. 86)

"Ainda tremendo, sentada no banco da igreja, compreendi que não é pelos mortos que choramos. Choramos por nós mesmos, e eu não merecia ter pena de mim mesma" (pg. 103) 

Essa edição: CLEAVE, Chris. Pequena Abelha. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.