Pages

Showing posts with label África. Show all posts
Showing posts with label África. Show all posts

Sunday, July 29, 2012

EL BOSQUE DE LOS PIGMEOS - Isabel Allende

"La reina estaba iluminada por un intenso resplandor interno. Los jóvenes la vieron tal como era y no en la forma en que había aparecido al principio, como una vieja miserable, puros huesos y harapos. En verdad, era una presencia formidable, una amazoa, una antigua diosa del bosque. Nana-Asante se había vuelto sabia durante esos años de meditación y soledad entre los muertos; había limpiado su corazón de odio y codicia, nada deseaba, nada la inquietaba, nada temía. Era valiente porque no se aferraba a la vida; era fuerte porque la animaba la compasión; era justa porque intuía la verdad; era invencible porque la sostenía un ejército de espíritus." (El Bosque de los Pigmeos)


Este é o terceiro livro que encerra a trilogia 'Las memorias del Águila y el Jaguar', elaborada por Allende, contando mais uma aventura vivida por Nadia, Alexander e Kate, juntamente com sua equipe de trabalho do National Geographic. Assim como o último livro (El Reino del Dragón de Oro) não gostei muito da história. Não me senti presa a lê-la. 

O livro trata da aventura desses personagens na África equatorial, mais especificamente, no Quênia, que vão à capital do país na intenção de escrever sobre uma reserva natural. Para chegar até a reserva, utilizaram o avião de Angie, mais uma personagem importante na trama. Fizeram suas excursões e passeios na reserva, ao lombo de um elefante. 

No decorrer da visita, encontraram o missioneiro Fernando, o qual os convenceu a irem procurar, com ele, seus companheiros missioneiros. Fernando não tinha notícia de seus colegas desde muito tempo, mas tinha indícios de onde poderiam estar. Kate, além de querer ajudar a ele, entendeu que também seria uma oportunidade de fazer uma boa reportagem. 

Durante a viagem, tiveram um problema com o avião e acabaram fazendo um pouso emergencial no meio da mata. Próximo do local buscado pelo irmão Fernando, acabaram encontrando pessoas que passavam no rio ao lado de onde o avião havia pousado. Após algumas negociações, essas pessoas concordaram em levá-los próximos à aldeia procurada. Já no caminho em terra firme, encontraram os pigmeos, que também desempenho papel importante. Estes os levaram até a aldeia almejada, que era dominada por  rei Kosongo, que com o comandante Mbembelé e o bruxo Sombe . A partir daí a história se desenrola de forma a libertar a aldeia e encontrar os missioneiros perdidos. 

Neste livro Allende deixa evidente a relação de amor existente entre Alexander e Nadia, que atingem a adolescência e começam a descobrir sentimentos diferentes da amizade. Mais sobre o livro pode ser lido em   espanhol aqui e em português aqui.

Algumas partes do livro:

"Tanto la población de Ngoubé como los pigmeos vivían en una realidad mágica, rodeados de espíritus, siempre temerosos de violar un tabú o cometer una ofensa que pudiera desencadenar fuerzas ocultas. Creían que las enfermedades son causadas por hechicería y por lo tanto se curan de la misma manera, que no se puede salir de caza o de viaje sin una ceremonia para aplacar a los dioses, que la noche está poblada de demonios y el día de fantasmas, que los muertos se convierten en seres carnívoros." (p. 207 - 208).

"Ellas también tendrían que luchar. Durante años habían soportado la esclavitud creyendo que si obedecían sus familias podrían sobrevivir; pero la mansedumbre de poco les había servido, sus condiciones de vida eran cada vez más duras. Cuanto más aguantaban, peor era el abuso que padecían." (p. 192, sobre as escravas pigmeias). 

"Los amigos se enteraron de que los espíritus rara vez intervienen en los acontecimientos del mundo material, aunque a veces ayudan a los animales mediante la intuición, y a las personas mediante la imaginación, los sueños, la creatividad y la revelación mística o espiritual. La mayor parte de la gente vive desconectada de lo divino y los minúsculos milagros cotidianos con los cuales se manifiesta lo sobrenatural. Se dieron cuenta de que los espíritus no provocan enfermedades, desgracias o muerte, como habían oído; el sufrimiento es causado por la maldad y la ignorancia de los vivos. Tampoco destruyen a quienes violan sus dominios o los ofenden, porque no poseen dominios y no hay modo de ofenderles. Los sacrificios, regalos y oraciones no les llegan; su única utilidad es tranquilizar a las personas que hacen las ofrendas." (p. 157)

Sobre esta edição: ALLENDE, Isabel. El bosque de los pigmeos. Buenos Aires: Sudamericana: 2004. 224 p.

Monday, January 16, 2012

A ILHA SOB O MAR - Isabel Allende

"Para lhe evitar preocupações e desgostos, aproveito suas ausências para me divertir à minha maneira - essa é a vantagem de ter um marido muito ocupado. Não gosta que eu ande descalça pela rua, porque já não sou escrava, que eu acompanhe Père Antoine e socorra pecadores no Pântano, porque é perigoso, nem que vá às bambousses da Praça do Congo, que são muito vagabundas. Nada disso eu conto a ele, e ele não me pergunta" (A Ilha Sob o Mar, Isabel Allende, pg. 476 - Zarité falando de seu marido, Zacharie) 
Isabel Allende conta a história de Zarité, uma escrava em Saint Domingue - hoje Haiti -, quando a colônia pertencia à França. A história se passa entre 1770 e 1810. Narrativa rica de detalhes, nos faz imaginar todos os fatos e personagens envolvidos. A autora divide a obra em dois blocos de tempo  e local distintos: o primeiro trata do período entre 1770 e 1793, em Saint Domingue e Cuba, enquanto o segundo retrata o período entre 1793 e 1810, na Louisiana. 

Além disso, a autora divide a narrativa em dois pontos de vista. Alguns capítulos são vistos como contados pela autora, ou seja, um narrador externo que conta a história; enquanto outros capítulos são contados pela própria Zarité, enfatizando seu ponto de vista e seus sentimentos sobre os fatos e as pessoas. Os capítulos se completam, e tornam a história mais clara. 

Zarité é filha de uma falecida escrava e, sob a posse de uma senhora, aos 9 anos é comprada para servir em uma fazenda à senhora Eugenia, esposa espanhola de um rico fazendeiro francês - Valmorain. Este chegou à ilha ainda com 18 anos, sem esperar que passaria toda sua vida dedicada às plantações de cana de açúcar e que delas tiraria o sua riqueza. Eugênia, após sucessivos abortos, deu a luz a Maurice, mas ela já sucumbia à depressão e outros transtornos, que a impossibilitou de cuidar do filho. Maurice foi criado como um filho por Zarité, que teve seu filho de sangue afastado de si pois era filho bastardo de Valmorain. Após alguns anos Zarité engravida novamente, dessa vez de uma menina, Rosette, que é criada junto com Maurice. Desde criança o amor entre eles floresceu, e durou até que a morte os separou. Com a guerra civil em Saint Domingue, Valmorain, Zarité e as duas crianças fogem para Cuba e, anos mais tarde, vão para Lousiana, recomeçar o cultivo da cana de açúcar. Nesse local, a vida recomeça para todos os personagens. 

É um livro, a meu ver, muito bom e vale a pena conferir. É uma leitura fácil e rápida, mas é um drama. Os sentimentos afloram em algumas passagens! É muito evidente o preconceito e o racismo que imperavam naquela época e que ainda deixam vestígios na sociedade moderna. Uma vez que o romance é mesclado de fatos históricos do país, entende-se um pouco mais sobre as origens do Haiti e o porque dos problemas sociais encontrados ainda hoje. Um blog interessante que tece uma discussão sobre esse aspecto histórico é O Grito!, vale a pena conferir. 

Além dos aspectos históricos, a narrativa resgata também costumes dos povos africanos, apresentando diferentes aspectos dessa cultura tão diferente, naquela época, da européia predominante. As diferenças culturais e de crença são pontos críticos explorados durante todo o texto. 

Abaixo os trechos que selecionei da narrativa:

"- Na Inglaterra e nos Estados Unidos também há quem questione seriamente a escravidão e se recuse a consumir os produtos das ilhas, em especial o açúcar - lembrou Parmentier.
- São em número insignificante, doutor. Acabo de ler, numa revista científica, que os negros pertencem a uma espécie diferente da nossa. 
- E como o autor explica que duas espécies diferentes tenham filhos? - perguntou o médico."
Diálogo entre Valmorain e Parmentier (médico da família). Pág. 92. 

"- Todos querem ser livres. 
- As mulheres nunca são livres, Tété. Precisam de um homem que cuide delas. Quando são solteiras, pertencem ao pai. Quando se casam, pertencem ao marido." Diálogo entre Valmorain e Zarité, sobre a liberdade dada por seu dono. Pág. 215.

"As duas compartilhavam a intimidade que costuma unir no exílio pessoas que jamais teriam trocado um único olhar se vivessem em seu lugar de origem." Sobre Violette e Adèle, em Cuba. Pág. 325.

"- ... Eu não sirvo para isso, senhor!
- Como você sabe? Todos nós temos uma reserva de forças inimaginável que emerge quando a vida nos põe à prova." Diálogo entre Maurice e seu professor Cobb, em Boston. Pág. 336. 

Dados dessa edição: 
ALLENDE, Isabel. A Ilha Sob o Mar. Bertrand Brasil, 2010.