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Monday, July 25, 2011

AS BRUMAS DE AVALON - O GAMO-REI - Marion Zimmer Bradley

"... E naturalmente o pecado, o bem e o mal, tudo isso são mentiras contadas pelos padres e pelos homens. A única verdade é que crescemos, morremos e desaparecemos como esta folha de grama, aqui. Bem, vou participar da vigília de Gareth, como prometi. Pelo menos, ele me ama com toda a inocência, como um irmão mais novo, ou um filho. Eu teria medo de me ajoelhar ante o altar se acreditasse numa palavra do que os padres dizem, condenado como estou. E mesmo assim, como desejo que houvesse um Deus que me pudesse perdoar, e me fizesse saber que estou perdoado..." (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 40, Brumas de Avalon - O Gamo-Rei)
Assim como nos outros livros, o terceiro volume continua discutindo questões relacionadas a religião, paganismo e cristianismo. Coloquei algumas passagens que mostram essas discussões, e as posições dúbias dos personagens, que não sabem em quê acreditar. Provindos de uma cultura "pagã", se debatem entre aquilo que acreditam desde sempre e o que o cristianismo vem apresentar a eles. Durante toda a história ressurgem esses debates, em um momento que destaca essa insegurança e dúvida que recaem sobre toda a corte e a própria população. Ainda existem em algumas regiões o culto à Deusa, enquanto os padres já exercem influência sobre grande parte da população. E, claro, Gwenhwyfar possui importante papel na dispersão dessa religião.

Muitas coisas importantes acontecem nesse volume. Logo no início Gwen descobre sobre o filho de Artur e Morgana. Ela acha que Deus castigou ela e Artur por causa desse grande pecado e por isso ela não havia conseguido engravidar. Artur então é impelido por ela a confessar com o sacerdote e este lhe impõe uma sorte de penitências para que possa se redimir perante Deus, a começar na festa de Pentecostes. 

Logo nessa festa, Viviane é assassinada por Balim, que sempre achou que havia matado sua mãe, no livro anterior. A verdade é que sua mãe estava sofrendo muito e Viviane praticou a eutanásia. Viviane é assassinada, o Merlim Taliesin passa mal, Morgana desmaia... é uma confusão só que acaba com a festa de Pentecostes de Artur. Ainda nesse volume Taliesin morre e Kevin assume seu lugar como Merlim da Bretanha. 

Morgana é dada em casamento ao velho rei Uriens, de Gales do Norte. Mas antes ela havia se apaixonado por seu filho, Acolon. Daí já se sabe o que acontece. Casada com Uriens, ela se deita também com seu filho, Acolon. No norte ela é rainha e exerce sua influencia sobre Uriens e Acolon, de modo que as festividades de Beltane continuam naquela parte do reino de Artur. 

Elaine teve uma filha de Lancelote e, ao final do livro, ela busca a menina para que vá viver em Avalon, conforme o trato estabelecido entre as duas. Nimue é levada então para lá e vive com Raven, longe de todas as outras sacerdotisas. Ela terá, no próximo livro, um papel de grande importância e que destacará a necessidade de ter vivido reclusa.

Assim como os outros livros, este se mostra extremamente instigante! A leitura é gostosa e é praticamente impossível largá-lo antes de terminar! 

Passagens interessantes:

"Deus não me recompensou pela minha virtude. O que me faz pensar que ele me poderia castigar? E teve em seguida um pensamento que lhe fez medo: Talvez não exista Deus, nem qualquer dos deuses em ue as pessoas acreditam. Talvez seja tudo uma grande mentira dos padres, para que possam dizer para a humanidade o que fazer, o que não fazer, no que acreditar, dar ordens até mesmo ao rei." (Gwen, pensando em um momento em que estava com Lancelote, pg. 84, grifo da autora)

"Mas eles só são parentes meus, e próximos, pelas leis feitas por cristãos, que querem governar esta terra... Governá-la com uma tirania nova - não só querem fazer as leis, mas também dominar a mente, o coração e a alma. E estou eu sofrendo, na minha vida, toda a tirania dessa lei, para que, como sacerdotisa, saiba por que ela deve ser derrubada?" (Pensamentos de Morgana, pg. 163).

"Essa fé me parece demasiado simples. A idéia de que basta acreditar que Cristo morreu para nos redimir de todos os nossos pecados, de uma vez por todas... Mas eu conheço demais a verdade, a maneira pela qual a vida funciona, com vidas sucessivas nas quais nós mesmos, e só nós, é que podemos resolver as causas que colocamos em movimento e tentar compesnar o mal que fizemos. Não é lógico que um homem, por mais santo e bendito, pudesse redimir todos os pecados de todos os homens, cometidos em todas as suas eexistências. O que mais poderia explicar porque alguns homens têm tudo, e outros, tão pouco? Não, é uma artimanha cruel dos padres levar os homens a acreditar que têm o ouvido de Deus e que podem perdoar seus  pecados, em nome dele. Ah, eu gostaria que fosse verdade. E alguns padres são homens bons e sinceros." (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 198).

Esta edição: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon - O Gamo-Rei. Rio de Janeiro: Imago, 1985. 

Tuesday, July 19, 2011

AS BRUMAS DE AVALON - A GRANDE RAINHA - Marion Zimmer Bradley

"... E tenho medo de que tanto Avalon quanto os cristãos estejam errados e que não haja deuses nem Céu e nenhuma vida depois da morte, de modo que, ao morrer, eu pereça para sempre. Por isso, temo morrer antes de ter saboreado o que me cabe na vida". (Lancelote em conversa com Morgana, pg. 78, As brumas de Avalon - A grande rainha)
Continuando o primeiro livro da trama... só um comentário: me arrependo de não ter escrito aqui antes de ter lido os livros 3 e 4 pois acabei misturando um pouco as expectativas e as próprias histórias entre eles. Esse livro aborda diferentes passagens das vidas dos diversos personagens. Vou tentar fazer um resumo das principais partes.

O livro se inicia contando sobre Morgana e sua gravidez. Morgana deu a luz a um menino, Gwidion, filho de Artur, na corte de Morgause, esposa de Lot e sua tia, após um parto muito dificil e doloroso. Dizia-se que ela não poderia mais ter filhos, devido ao parto traumático. Morgause, pensando no trono de Artur no futuro, não deixou que Morgana tomasse seu filho nos braços após o parto, e esta acabou por deixá-lo em sua corte para ali ser criado.

Gwenhwyfar é tomada por Artur como noiva. Lancelote foi buscá-la nas terras de seu pai - Leodegranz, juntamente com cavalos e guerreiros que foram dados a Artur. Lancelote se lembra de tê-la encontrado anteriormente em Avalon, quando ela se perdeu na ilha dos padres e acabou por ultrapassar as brumas. Junto com Morgana, nesse dia ele a conduz de volta a ilha e se encanta com a moça. Anos depois ele é encarregado de buscar a noiva de Artur, porém sem saber que era a moça por quem ele havia se encantado.  Ao primeiro encontro eles se apaixonam perdidamente, mesmo sendo um amor proibido. 

Morgana vai então ao casamento de Artur e Gwen. Igraine deixa o convento, onde passa quase todo o tempo após a morte de Uther, para participar das festividades. Após alguns anos Igraine morre no convento, chamando por Morgana. Mas esta estava perdida no mundo das fadas e nada soube...

Após alguns anos na corte de Artur, Morgana tenta voltar para Avalon, mas se perde no caminho e encontra o país das fadas. Passa ali um tempo que ela não se dá conta, até que ouve um grito de Raven e "acorda", como de um sonho profundo, e vai embora. Confusa por não ter conseguido entrar em Avalon, ela não se acha digna de ali voltar. Viaja, então, para a corte de Artur, a pé. Durante dias viajou sozinha, dormindo em casas abandonadas, e comendo o que encontrava pelo caminho. Parecia uma mendiga. No meio do caminho encontrou Kevin, o harpista, que foi indicado por Taliesin para ser o novo Merlim da Bretanha. Ele a deu de comer e ele a contou as coisas que haviam acontecido desde sua partida. Artur havia construído um novo castelo e para lá mudado: Camelot. Morgana foi com Kevin para o novo castelo e lá passou vários anos. 

Durante todo o tempo Gwen e Lancelote sofrem pelo amor proibido. Kevin se torna amante de Morgana: mesmo com seu corpo aleijado, ela o aceita e chega a amá-lo. Morgana também tentou ajudar Gwen a se engravidar: todas as vezes que ela engravidava, abortava em pouco tempo. Artur chegou a achar que a culpa era sua, e permitiu que Gwen tentasse lhe dar um filho pelas mãos de Lancelote. 

Passagens interessantes:

"Eu sabia, desde a primeira vez que trilhei este caminho, que haveria momentos de desespero total, quando se busca arrancar o véu do santuário, e quando se grita por ela, sabendo que não responderá porque não está ali, porque nunca esteve ali, não há Deusa, mas apenas nós mesmos, e estamos sós na zombaria dos ecos refletidos por um santuário vazio... Não há ninguém ali, nunca houve ninguém ali, e toda a Visão não passa de sonhos e alucinações..." (Viviane em um monólogo, pg. 146, Grifo da autora).

"Deus é uno, e há apenas um Deus. Todo o resto, são coisas de ignorantes que procuram colocar deuses numa forma qe se possa compreender, como aquela imagem da Virgem, ali, Senhora. Nada acontece neste mundo sem a bênção do Uno, que nos dará a vitória ou a derrota, como Deus quiser. O Dragão e a Virgem são ambos símbolos do apelo dos homens a algo superior a nós" (Taliesin em conversa com Gwenhwyfar, pg. 188).

"Á medida que envelheço, penso cada vez mais que talvez o que consideramos como o passar do tempo só acontece porque adquirimos o hábito, terrivelmente arraigado, de contar as coisas - os dedos de um recém-nascido, o aparecer e o retornar do sol -, e por isso pensamos com muita frequência no número de dias ou de estações que devem transcorrer antes que o grão amadureça, ou nosso filho cresça no ventre e seja dado à luz, ou que algum encontro muito desejado se concretize. E os regisramos de acordo com o passar do ano e do sol..." (Morgana divagando sobre os dias em que passou no país das fadas e o passar do tempo, pg. 215). 

"Mesmo assim, rainha, ninguém pode ser dono da consciência de outrem. Mesmo que isso lhe pareça maligno e vergonhoso, a senhora poderia pretender saber o que é certo ou errado para os outros? Nem mesmo os sábios podem saber tudo, e talvez os deuses tenham mais objetivos do que nós, com nosso parco conhecimento, podemos saber" (Taliesin em conversa com a Gwenhwyfar, pg. 230).

Esta edição: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon, livro 2: A Grande Rainha. Rio de Janeiro: Imago Editora LTDA, 1985.

Leia também:

As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia (1)

Monday, June 6, 2011

AS BRUMAS DE AVALON - A SENHORA DA MAGIA - Marion Zimmer Bradley

"Fico pensando... - E ele traçou novamente a linha das serpentes imaginárias, tocando-lhe o pulso com a outra mão. - Sempre soube que tive outras vidas, pois parece-me que a vida é algo demasiado grande para ser vivida apenas uma vez e ser logo apagada como uma lâmpada, quando o vento sopra. E por que, então, quando a vi pela primeira vez, senti que já a conhecia antes mesmo de o mundo ser feito? Essas coisas são mistérios, e creio que talvez as conheça melhor do que eu." (Fala de Uther  a Igraine, sobre um amor de outra vida entre os dois, pg. 125, As Brumas de Avalon, A senhora da Magia)
Eu já o havia tentado ler anteriormente, mas sem sucesso, parei nas primeiras 20 páginas do livro. Muitos personagens permeiam a trama e talvez por isso, na minha primeira tentativa há alguns anos atrás, eu o tenha abandonado. Porém, nessa segunda tentativa de leitura, esse livro se mostrou totalmente envolvente. Sim. Talvez o início se mostre um tanto confuso, com muitas histórias entrelaçadas e uma grande quantidade de novos personagens. Mas essa sensação passa... e me envolvi de tal forma na história que fica difícil querer parar de ler. 

Como primeiro livro da série, ele se dedica a contar como tudo começou. Relata a história de Igraine (irmã de Viviane), Viviane (Senhora do Lago e sacerdotisa de Avalon), Morgana (filha de Igraine), Merlim, Uther (grande rei da Bretanha) e Arthur. A trama se inicia contando um pouco da vida de Igraine, que se casou com Gorlois, Duque da Cornualha, como mandado pela sua irmã Viviane. Viviane havia criado Igraine até certa idade em Avalon e depois a enviou para casar-se com Gorlois. Igraine tem uma filha com Gorlois, chamada Morgana, mas ele desejava um filho dela. Porém agora Igraine deveria fazer parte de algo maior, algo que a Deusa havia traçado para sua vida: unir-se a Uther e dele ter um filho que, futuramente, seria o grande rei da Bretanha e uniria todos reis da região.

Igraine se mostra resistente no início pois, desde que se casou, vivia sob os preceitos da fé cristã e deitar-se com outro homem, que não fosse seu marido, lhe trazia grande desconforto e revolta. Porém, Gorlois, após a morte de Ambrósio (até então grande rei), relutou unir-se a Uther (devido a incidentes envolvendo sua esposa Igraine) e provocou, desta forma, guerra contra Uther. Este último, decidido a tomar Igraine como sua esposa e amante, foi buscá-la no castelo da Cornualha e entrou em combate com Gorlois, que faleceu. Uther então casou-se imediatamente com Igraine. Perdidamente apaixonada por Uther, ela lhe dá um filho, que se chama Arthur.

Arthur, ainda criança, sofreu alguns atendados contra sua vida e, como forma de protegê-lo, Uther segue a sugestão de Merlim e o envia para ser criado por um dos reis no interior do país, sem divulgá-lo a ninguém. Assim como Arthur, Morgana é enviada para morar em Avalon, junto com a tia Viviane, e ser iniciada nos costumes e crenças daquele povo. Esta se torna mulher e sacerdotisa em Avalon, enquanto Arthur se torna um rapaz forte. Morgana se apaixona por Lancelote, filho de Viviane (portanto seu primo e primo de Arthur), porém não tem sua paixão correspondida. No mesmo dia em que Morgana se sente perdidamente apaixonada por Lancelote, ele se sente atraído por uma garota cristã que estava perdida em Avalon (Gwenhwyfar).

Uther falece em batalha e Igraine passa a viver em um convento. Arthur então é chamado para tomar seu lugar como rei. Primeiro ele passa pelos rituais dos druidas, em que acaba por deitar-se com Morgana e engravidá-la, sob as figuras da Deusa e do Deus (Galhudo) na festa do Gamo-Rei. Após ser aceito por meio deste ritual pelos 'povos antigos', Arthur é então coroado grande rei da Bretanha também pelos cristãos. Em seguida, ele jura que respeitará os costumes e crenças dos druidas e dos povos antigos e, em troca, recebe a espada Excalibur e a sua bainha bordada com inúmeros encantamentos para protegê-lo. 

Além disso, é muito acentuada a discussão entre conceitos "pagãos" e cristãos, sobre o que é certo e o que é errado. Para mim, ficou clara a intransigência dos que são cristãos quanto ao convívio ou tolerância às crenças e hábitos dos ali chamados pagãos. É uma discussão interessante e que me deixou pensativa quanto às minhas próprias crenças, dentro das nossas perspectivas atuais. 

Esse primeiro volume da trama possui 280 páginas que consumi prazerosamente, já ansiosa pelo o que virá nos próximos! Mais um livro tirado de nossa mini biblioteca, sua edição é de 1985. Para mais resenhas e resumos clique aqui.

Sobre essa edição: BRADLEY, Marion Zimmer. As Brumas de Avalon: A Senhora da Magia. Rio de Janeiro: Imago, 1985.

Friday, May 6, 2011

AS AVENTURAS DE TOM SAWYER - Mark Twain

" Não me importo. Eu não sou toda a gente e não aguento aquela vida. É horrível vermo-nos assim amarrados e, mesmo sem querer, começa-se a resmungar. Desse modo já não me interessa a vida. Tenho de pedir licença para ir pescar; tenho de pedir licença para ir nadar; tenho de pedir licença para tudo; tenho de falar tão bem que só tenho vontade de ficar calado. Todos os dias vou um pouco para o sótão mascar fumo, senão morro, Tom. A viúva não me deixa fumar; não me deixa gritar; não me deixa bocejar, nem me espreguiçar, nem me coçar diante dos outros..." (Fala de Huck para Tom, pg. 272, As Aventuras de Tom Sawyer)

É um livro engraçado, que trata, como o título diz, das aventuras de um garoto de uma pequena vila às margens do rio Mississipi, nos EUA, no século XIX. É interessante ver como as crianças da época se divertiam, colhiam pequenos tesouros e criavam histórias fantásticas.

Tom é o personagem principal do livro, mas o divide com diversos outros personagens também importantes na trama. Tom é o "líder"  da traquinagem, e tem sempre uma nova idéia para brincar, explorar e aprontar alguma de suas proezas. Fiquei, a cada capítulo, esperando qual seria a próxima "aventura" em que ia se envolver.

Super fácil de ler, não usa linguagem complicada. Até então não havia lido nenhum livro de Mark Twain e quando encontrei esse na mini biblioteca aqui de casa, o escolhi na hora! O li em paralelo com Crônicas de Nárnia, mas acabei de lê-lo depois. Talvez por isso tive um viés na leitura, achando-o menos interessante, já que Nárnia me encantou tanto! Mas não deixo de indicá-lo para leitura.

Conforme a capa do livro: "Uma pequena epopéia realista, um panorama juvenil dos hábitos e superstições dos primeiros habitantes das planícies do meio-oeste norte-americano. Tom Sawyer, garoto esperto, desobediente e malicioso, sempre envolvido em complicações perigosas, é o pequeno herói desta obra destinada ao público juvenil - mas que também encanta adultos. O livro é marcado pela seriedade e amargura que constituem o substrato de todo o humorismo de Mark Twain."

Sobre essa edição: TWAIN, MARK. As aventuras de Tom Sawyer. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - C. S. Lewis

"É tão difícil explicar a diferença entre essa terra ensolarada e a antiga Nárnia, quanto dizer que gosto tinham as frutas daquele país. Talvez você consiga ter alguma idéia se pensar no seguinte: faça de conta que está em uma sala cuja janela dá para uma bonita baía, ou para um vale verdinho que se perde de vista entre as montanhas. Na parede oposta à janela existe um grande espelho. E, no espelho, o mar ou o vale são, num certo sentido, exatamente a mesma coisa que os reais. Ao mesmo tempo, porém, existe algo diferente: são mais vivos, mais maravilhosos, mais parecidos com os lugares de uma história que você, apesar de jamais ter ouvido, gostaria muitíssimo de escutar" (A última batalha, As Crônicas de Nárnia, pg. 731)

O que falar desse livro tão fantástico? Me entreguei à sua leitura com grande entusiasmo durante 2 meses... Um capítulo a cada dia e, quando não me aguentava, lia mais de um!!! Leitura fácil e tranquila, que nos instiga a ler mais e mais. E a tristeza que dá quando acaba o livro? Senti uma falta enorme ao acabar de lê-lo. Acho que por aqui já sabem minha opinião sobre o mesmo: é ótimo! E indico para todos!

Comprei a edição volume único, em que estão reunidas todas as Crônicas de Nárnia. São 7 histórias que são independentes, apesar de algumas delas fazerem referências a crônicas anteriores. Como são 7 diferentes histórias, não vou me ater a descrevê-las -  O Sobrinho do Mago; O Leão, a Feiticeira e o Gaurda-Roupa; O Cavalo e seu Menino; O Príncipe Caspian; A Viagem do Peregrino da Alvorada; A Cadeira de Prata; A Última Batalha. O intuito desse post foi servir de incentivo àqueles que ainda não o leram, e não de resumo ou resenha. É impossível resumir em poucas palavras tudo o que nos envolve em suas páginas...

Mas é interessante a relação que podemos fazer entre Aslam ( o Grande Leão) e Deus. "Os livros têm evidentemente uma temática cristã, sendo o leão a imagem de Deus e os sete livros a imagem da vida do cristão, começando pela Criação, ou Gênesis (O Sobrinho do Mago) e terminando pelo Fim dos Tempos, ou Apocalipse (A Última Batalha). O livro é cheio de mensagens cristãs de amor, paz e esperança em um ser maior e mais poderoso que todos nós (Aslam / Deus), mas também no respeito e na obediência a este ser, para nosso próprio bem." (Fonte:<http://www.infoescola.com/livros/as-cronicas-de-narnia/>, Acesso em 06/05/2011). Mais discussões a respeito desse tema nesse link.

Enfim, espero ter conseguido transmitir todo o prazer que tive lendo o livro! 

Boa leitura a todos =)

Sobre essa edição: LEWIS, C. S. As Crônicas de Nárnia. Volume único. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.