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Tuesday, June 22, 2010

PASSEIO AO FAROL - Virgínia Woolf

"Da mesma forma, ao se regressar de um passio, ou após uma doença - antes que os hábitos voltassem novamente a se tecer na superfície das nossas vidas -, sentia-se essa mesma surpreendente sensação de irrealidade; sentia-se algo emergir. A vida jamais era tão brilhante como nesse momento."(Passeio ao Farol, pg. 172)
Publicado em 1927, o livro "Passeio ao Farol", de Virgínia Woolf (1882 - 1941), trata da história de uma família em três momentos distintos. Inicialmente, a família completa, liderada pela mãe; em um segundo momento retrata-se a morte da mãe e dois irmãos; e num terceiro momento são apresentadas as perspectivas sobre essa família, agora liderada pelo pai. 

A autora trata de descrever minuciosamente os pensamentos de seus personagens a respeito das diferentes temáticas e pessoas que entram no enredo. De início a leitura se mostrou difícil, já que a autora passa do pensamento de uma pessoa para outra sem intervalos, além de escrever grandes parágrafos. A linguagem não é simples, mas após algumas páginas e maior intimidade com sua forma de escrita, a leitura se torna prazeroza e interessante. 

"Em seus livros mais importantes, está presente um procedimento renovador: o enredo é praticamente dissolvido, reduzindo-se a um fio mínimo, a uma espécie de atmosfera que liga as personagens. Um acontecimento exterior qualquer desencadeia idéias e seqüencias de idéias que levam a personagem a mover-se com liberdade na consciência, transitando do passado ao presente e vice-versa." (Passeio ao Farol, pg. 190). 

"Os limites da ficção realista com técnicas de simultaneidade alicerçadas naquilo que se chamou, a partir de William James, de "fluxo da consciência", permitiu-se a integração, na estrutura da narrativa, de momentos de iluminação (as epifanias de Joyce ou Proust) e criou-se, por outro lado, uma nova concepção do tempo narrativo a que já se chamou de "forma espacial do romance". Neste sentido, embora a obra tenha um plano claramente delineado, as três partes, separadas por dez anos de experiências, antes confundem do que clarificam a cronologia porque o tempo que passa, ou passou, como está sobretudo na segunda parte, não se desprega da experiência subjetiva e da memória dos personagens."

Sobre essa edição do livro: 
Woolf, Virgínia. Passeio ao farol. Círculo do livro, 1987. Coleção Grandes Autoras, capa dura. 

Friday, May 21, 2010

CAIM - José Saramago


“A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós entendemos a ele.” 
(José Saramago, Caim, São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p.88)

"Se, em 'O Evangelho segundo Jesus Cristo', José Saramago nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo, involuntária, entre criador e criatura.

Para atravessar esse caminho árido, um deus as turras com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem, resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o melhor dos julgamentos. Tal como o diabo de 'O Evangelho', o deus que o leitor encontra aqui não é o habitual dos sermões: ao reinventar o Antigo Testamento, Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem ao mesmo tempo complexa e irônica, cujo tom de farsa da narrativa só faz por acentuar. 

A volta aos temas religiosos serve, também, para destacar o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: aqui, a capacidade de tornar nova uma história que conhecemos de cabo a rabo, revelando com mordacidade o que se esconde nas frestas dessas antigas lendas. Munido de ferina veia humorística, Saramago descreve uma estranha guerra entre o homem e o senhor. Mais que isso, investiga a fundo as possibilidades narrativas da Bíblia, demonstrando novamente que, ao recontar o mito e confrontar a tradição, o bom autor volta à superfície com uma história tão atual e relevante quanto se pode ser". 
Fonte: capa do livro. 

Acho que essa resenha apresentada na capa do livro explica muito bem o que o leitor vai encontrar nas páginas de "Caim". O livro é de fácil leitura e muito me agradou lê-lo. Ver a história sob uma perspectiva totalmente diversa daquela que estamos acostumados nos faz ter uma visão crítica acerca do que temos como verdade. O que é ali apresentado me incitou a repensar e refletir sobre o que é deus e tudo aquilo que acredito (ou não) e levo comigo. 

Para aqueles que são muito religiosos, não aconselho a sua leitura! A forma como Saramago apresenta os fatos pode gerar certo desconforto.   

Sunday, February 28, 2010

A MÁQUINA DE XADREZ - Robert Löhr

"Este livro conta a história do invento que pôs em xeque a nobreza européia. No século XVIII, o barão Wolfgang von Kempelen encantou o continente europeu com a máquina de xadrez. um autômato vestido de turco desafiava qualquer humano para uma invencível partida. Durante alguns anos, o mistério persistiu. Mas o que ninguém suspeitava era que um anão, responsável pelas jogadas geniais, escondia-se sob as engrenagens da máquina." ( Resumo presente no verso do livro)

A leitura é muito tranqüila e instigante! Li super rápido. Vale a pena!!! Além disso há um jogo psicológico dos personagens, fazendo-os oscilar entre obrigação e prazer, entre razão e fé. Muito interessante.  

"A Máquina de Xadrez traz os lances típicos de um romance de entretenimento com ares históricos, na linha de O Perfume, o best-seller do também alemão Patrick Süskind: perseguições, crimes e sexo protagonizados por um conjunto de figuras que realmente existiram – caso de Von Kempelen – e personagens de ficção, como Tibor e a insinuante Elise, por quem ele se apaixona. A profusão de diálogos, artifício comum em livros desse gênero, torna a leitura mais rápida – além de piscar o olho para uma adaptação cinematográfica. Löhr também evita se demorar na descrição das partidas, pois isso perturbaria o andamento da narrativa para quem não domina as regras do xadrez. 
Von Kempelen morreu em 1804, aos 70 anos, sem admitir a falsidade de sua obra – o que só foi feito mais tarde pelo francês Jacques-François Mouret, um dos jogadores que costumavam participar do embuste. Desmascarado, o turco virou cinzas no incêndio que, em meados do século XIX, tomou conta do museu que o abrigava, na Filadélfia – a mesma cidade onde Deep Blue tornaria assustadoramente real o sonho de uma máquina inteligente."

Thursday, February 18, 2010

SUBSTITUTOS ( EUA - 2009 - FICÇÃO - 88 min )

Ontem a tarde assisti ao filme "Substitutos"( EUA - 2009 - FICÇÃO - 88 min ).
Titulo original: (Surrogates)
Direção: Jonathan Mostow

Atores: Bruce Willis , Radha Mitchell , Rosamund Pike , Boris Kodjoe , James Frances Ginty
Sinopse: Ano de 2054. Grande parte da população usa os andróides substitutos da Virtual Self (VSI), que cumprem todos os afazeres do dia a dia e permitem que seus donos jamais tenham que sair de casa. Entretanto um terrorista tecnológico passa a assassinar os andróides, causando caos geral. Dois policiais são designados para cuidar do caso: Tom Greer (Bruce Willis) e Peters (Radha Mitchell), e a cópia andróide dos dois. 

Sinceramente... não achei muita graça. A história é  vazia, falta ser melhor explorada. O ponto interessante é que pode-se interpretá-lo como uma crítica ao exagero do uso da tecnologia a nosso serviço. No filme, os humanos passam seu tempo deitados em uma cadeira comandando seus andróides por meio de ondas cerebrais e só se levantam daí para satisfazer suas necessidades vitais - alimentação, banheiro e dormir. Até mesmo as relações mais íntimas são feitas pelos andróides. Há um distanciamento entre as pessoas reais e todas as interações são realizadas por falsos humanos. O que pode ser interessante por um lado ao manter essa interface - você poderia ter um andróide com as características físicas desejadas, ser homem/mulher, não se machucar - pode ser extremamente isolacionista por outro, uma vez que as pessoas  não se conheceriam de verdade e não haveria o contato real entre elas. Apesar de ser um filme futurista e de ficção, é possível perceber tal distanciamento - em menor  nível e escala - nos dias atuais, em que grande parte da interação interpessoal é proporcionada por meio da internet e não mais no contato direto. Voltando ao filme, há cenas em que Bruce Willis sai na rua de verdade - sem seu andróide - e mal consegue caminhar pelas ruas da cidade, estando totalmente vulnerável a luz e aos sons da cidade. Isso me incita a acreditar que nosso crescente isolamento possa nos tornar inaptos a lidar com situações de corpo presente, nos tornar menos sensíveis a situações de sofrimento e dor alheia, bem como cada vez mais carentes e infelizes, como se algo estivesse faltando. 
Bom, apesar do filme não ser muito bom, ao menos serviu para eu pensar e refletir isso tudo! Ou viajar muito... vai saber!

Wednesday, February 17, 2010

COLEÇÃO RAMSÉS - Christian Jacq

A série de livros "Ramsés" é composta por cinco diferentes títulos que contam a história da vida e do reinado de Ramsés II ( 1279 - 1213 A.C.). O faraó egípicio assumiu o trono ainda novo, como co-regente com seu pai Sethi I, e reinou até a sua morte aos 96 anos de idade. Seu longo reino praticamente define o próspero Novo Reino. Assim que ele assumiu o trono, ele travou uma série de guerras com os sírios que deram estabilidade ao Egito nos anos a seguir. Ele construiu com grandeza, incluindo os dois templos de Abu Simbel, Hypostyle Hall em Karnak, seu fabuloso templo mortuário Ramesseum, um Colosso, uma tumba e adições ao Templo Luxor. 

Os livros, além de abrangerem toda a vida de Ramsés, retratam os diferentes costumes e hábitos do Egito Antigo, assim como as diferentes batalhas travadas com povos vizinhos para estabelecer a paz no reino. O primeiro livro da série "O Filho da Luz", Ramsés é um jovem adolescente que anseia secretamente substituir o pai no trono do Egito. Porém, Shenar, seu irmão mais velho, é o  primogênito e supostamente teria direito ao trono, o que faz com que Sethi imponha a Ramsés diferentes experiências e treinamentos. Ramsés deu provas ao faraó de que merecia ser escolhido como seu sucessor e foi iniciado na sagrada e suprema função de faraó do Egito. 


O segundo livro, "O Templo de Milhões de Anos", Ramsés, com 23 anos, é coroado faraó, substituindo seu pai Sethi. Ele dispõe das mais favoráveis condições para reinar com prosperidade, justiça e sabedoria: o amor de Nefertari e da mãe Touya, a sólida rede de amigos tecida desde a adolescência, e o apoio incondicional de Moisés. Porém, para manter-se no poder, Ramsés deve vencer diferentes complôs que se instauram contra ele, provando sua autoridade e competência ao povo e seus inimigos.  


O terceiro livro, "A Batalha de Kadesh", relata a batalha de Ramsés contra dois perigosos e poderosos inimigos: o temível exército hitita e o efeito da magia que tira a vida da esposa real Nefertari. Os inimigos de Ramsés tecem uma teia de espionagem para fomentar o ódio dos hititas contra o povo egícipcio. Para ajudá-lo a superar tais  obstáculos, Ramsés apelará ao poder dos deuses do Egito. 


O quarto livro, "A Dama de Abu-Simbel", Ramsés terá que enfrentar dois outros desafios: Moisés, seu amigo de infância, retornará ao Egito para exigir do faraó autorização para o êxodo hebreu; e Ofir, o mago das magias negras, atingirá o primogênito de Ramsés com sua magia do mal. Ramsés terá ainda que negociar com o poder hitita para manter a tão sonhada  paz. Seu amigo Acha, o dipolomata, irá ajudá-lo a garantir a tranquilidade e a prosperidade do Egito. Como forma de presentear sua esposa real, Ramsés manda erguer em Abu-Simbel dois templos como símbolo de seu amor eterno.


No quinto livro, "Sob a Acácia do Ocidente", Ramsés terá que ceder aos caprichos do povo hitita para honrar seu tratado de paz, ao perder Nefertari e Iset a Bela, será obrigado a desposar a princesa hitita Mat-Hor. Ameaçado por inimigos ocultos, em seus derradeiros anos de reinado, Ramsés não conseguirá sair vitorioso contra seu maior adversário: o tempo, que lhe roubou irremediavelmente o amor de sua vida e seus amigos de sempre. Sentindo-se cada vez mais velho e solitário, Ramsés irá sentar-se a sombra da acácia do Ocidente para a sua última viagem. 


Achei super interessante a história, gostei muito. A leitura é fácil e tranqüila, além de envolvente. Porém indico que se leia de forma espaçada, ou seja, não um livro em seguida do outro. Cada título introduz e relembra parte da história do livro anterior, o que torna um pouco enjoada a leitura seguida dos cinco volumes. É  interessante pois, apesar de parte ser um romance fictício, o autor aborda muita coisa sobre os costumes e forma de vida de um povo que deixou muitas marcas, como as suas construções e a crença na harmonia do homem com a natureza e os deuses. 


Obs. As resenhas acima escritas foram retiradas das capas dos respectivos livros.