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Sunday, January 6, 2013

O ALIENISTA - Machado de Assis

"O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu: Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência científica. Digo experiência, porque não me atrevo a assegurar desde já a minha idéia; nem a ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante. Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da Terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente." (O Alienista, pg. 9)
É um livro muito interessante, de um autor brasileiro de grande importância. Muito me agradou a sua leitura! Este título já foi alvo de muitas provas vestibulares, porém não o havia lido até hoje. É um livro pequeno, apenas 34 páginas. Bom, cabe destacar que a versão que li obtive gratuitamente no site Domínio Público, onde estão disponibilizadas várias obras, de diferentes autores. Vale a pena conferir e baixar! Destaco que no site há diversas versões de uma mesma obra. Esta que li, em particular, aponta a UNAMA (Universidade da Amazônia) como entidade que disponibilizou. Não possui a capa que apresento acima, mas apenas o título do livro com a origem do arquivo (UNAMA). 

É uma obra muito agradável de ler, que apresenta um vocabulário, as vezes, rebuscado e que é escrita de forma peculiar, característica do autor e das obras da sua época. Por seu tamanho e enredo sua leitura é bem rápida. 

O texto nos conta a história do médico português Simão Bacamarte, que vive na cidade de Itaguaí e alí resolve estudar a loucura. Resolve que, para isso, deve-se construir um local onde todos os 'loucos' devem viver juntos: a Casa Verde. Ele a construiu com o apoio do governo, alegando a grande importância dos seus estudos para a ciência e a medicina. Com esse objetivo, confinou grande parte dos moradores da cidade na Casa Verde, e com o tempo suscitou a desconfiança e o desconforto da população que ainda restava fora de seus muros. Houve então uma revolução, chefiada por um barbeiro da cidade - Porfírio -, que além de derrubar a Casa Verde, queria obter poder político. Porém suas reais intenções vêm a tona quando conversa em particular com o alienista.

Após esse momento, que acabou não interferindo nas suas experiências, Simão Bacamarte chega a conclusão de que aqueles que estão na Casa Verde não são os verdadeiros loucos e, sim, aqueles que gozam de total equilíbrio mental. Ou seja, os que gozam de equilíbrio constante são os loucos! O médico então libera todos os que estavam abrigados na Casa Verde e busca novos moradores, com características distintas daquelas iniciais. 

Vale a pena ler! Trechos interessantes:

"Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em quem supomos são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?" (pg. 18)

"Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura." (pg. 26)

"Um dia de manhã - dia em que a Câmara devia dar um grande baile, - a vila inteira ficou abalada com a notícia de que a própria esposa do alienista fora metida na Casa Verde. Ninguém acreditou; devia ser invenção de algum gaiato. E não era: era a verdade pura. D. Evarista fora recolhida às duas horas da noite. o Padre Lopes correu ao alienista e interrogou-o discretamente acerca do fato." (pg. 26)

"E cavando por aí abaixo, eis o resultado a que chegou: os cérebros bem organizados que ele acabava de curar, eram desequilibrados como os outros. Sim, dizia ele consigo, eu não posso ter a pretensão de haver-lhes incutido um sentimento ou uma faculdade nova; uma e outra coisa existiam no estado latente, mas existiam." (pg. 33)

O LIVRO DE AREIA - Jorge Luis Borges

"A qualquer momento terei completado setenta e tantos anos; continuo dando aulas de inglês para alguns poucos alunos. Por indecisão ou por negligência ou por outras razões, não me casei, e agora estou só. Não sofro pela solidão; já é bastante esforço alguém tolerar a si mesmo e a suas próprias manias. Noto que estou envelhecendo; um sintoma inequívoco é o fato de que não me interessam ou surpreendem as novidades, talvez porque observe que nada de essencialmente novo há nelas e que não passam de tímidas variações." (O livro de areia - o congresso, pg. 21-22).
Encontrei esse livro em uma banca de jornal, o qual veio acompanhado de um outro exemplar, porém de poesia. Este ainda não li. O preço dos dois foi muito bom, o que me fez aproveitar essa oportunidade! Ainda não conhecia o autor, não havia lido nenhuma de suas obras, e esse livro me instigou a ler outras, futuramente. 

Deixando de lado detalhes de ordem diversa, foi uma leitura muito agradável e rápida. Linguagem fácil de entender. O autor divide o livro em 13 contos - se assim posso chamá-los -  que tratam de temas variados. Muita criatividade é apresentada nos textos. São histórias fantásticas que, apesar de muitas vezes serem curtas (2 ou 3 páginas, como "o disco"), te envolvem e te deixam com gostinho de 'quero mais'. Em algumas das histórias senti aquele desejo de saber mais, aquela vontade de descobrir o que vem depois... Por isso não leia buscando muita lógica nas histórias. O entender o texto se trata de sentir as palavras e o que o autor está tentando passar para o leitor. Indico fortemente a sua leitura!

Você pode adquirir o produto no site da Livraria Folha. Não há muito o que falar, há de se ler o livro para poder sorver todas as impressões! Mas abaixo apresento algumas passagens que achei interessante: 

"Meu sonho já durou setenta anos. Afinal, ao recordar, não existe ninguém que não se encontre consigo mesmo. É o que nos está acontecendo agora, só que somos dois. Você não gostaria de saber algo do meu passado, que é o futuro que o espera?" (Conversa entre ele e ele mesmo, mais jovem. Conto: o outro, pg. 9)

"Tudo isto é um milagre - conseguiu dizer - e milagres dão medo. Os que foram testemunhas da ressurreição de Lázaro devem ter ficado horrorizados." (Conversa entre ele e ele mesmo, mais jovem. Conto: o outro, pg. 14)

"A frase pretendia ser engenhosa e imaginei que não era a primeira vez que a pronunciava. Soube depois que não combinava com ela, mas o que dizemos nem sempre se parece conosco." (Ulrica, pg. 16)

"- Eu gostaria que este momento durasse para sempre - murmurei. 
- Sempre é uma palavra que não e permitida aos homens..." (Ulrica, pg. 18)

"Os anos não modificam nossa essência, se é que temos alguma; o impulso que me levaria, uma noite, ao Congresso do Mundo foi o que me trouxe, inicialmente, à redação da Última Hora." ( O congresso, pg. 23)

"Senti o que sentimos quando alguém morre: a angústia, já inútil, de que nada nos teria custado ter sido melhores." (there are more things, pg. 39)

"Era preciso que as coisas fossem inesquecíveis. Não bastava a morte de um ser humano pelo ferro ou pela cicuta para ferir a imaginação dos homens até o fim dos dias. O Senhor dispôs os fatos de modo patético." (A seita dos trinta, pg. 49)

"Também a mim a vida deu tudo. A todos a vida dá tudo, mas a maioria ignora isso. Minha voz está cansada e meus dedos fracos, mas escuta-me." (undr, pg. 67)

"Foi então que o desconhecido me disse:
- Olhe-a bem. Nunca mais a verá. 
Havia uma ameaça em sua afirmação, mas não na voz. 
Fixei-me no lugar e fechei o volume. Imediatamente o abri. Procurei em vão a figura da âncora, folha por folha." ( o livro de areia, pg. 96)

Sobre esta edição: BORGES, Jorge Luis. O livro de areia. São Paulo: MEDIAfashion, 2012. 104 p. Coleção Folha. Liberatura ibero-americana; v. 1)

Tuesday, December 4, 2012

A SABEDORIA DA NATUREZA - Roberto Otsu

"Julgar é separar. No julgamento, as pessoas procuram ver a diferença que separa e não o ponto essencial em comum. Julgar é uma forma inconsciente de autovalorização em detrimento do outro. É querer se sentir superior ao outro, é uma forma de afirmar que se está acima das falhas alheias. Enquanto julgarmos e acreditarmos nas aparências, não teremos condições de entender o que acontece." (A sabedoria da natureza, pg. 221)
 O texto é de fácil leitura, com linguajar claro e simples. Trata das ideias do taoismo e a sua aplicação em nossa vida cotidiana. O autor apresenta diferentes exemplos contemporâneos para cada um dos ensinamentos que apresenta. Como descrito na capa do livro: "Para o Taoismo e para várias filosofias de outras civilizações, ser sábio é seguir as leis da Natureza, pois o ser humano é fruto dela. Ao contemplar a Natureza com reverência e entrar em sintonia com ela, podemos atingir o equilíbrio físico, mental e espiritual." 

O autor divide o livro em 5 capítulos principais que tratam de elementos da natureza e, a partir deles, abre os ensinamentos que cada um pode trazer para nós, descritos em subtítulos. No início achei o texto um tanto repetitivo, mas depois me acostumei com seu estilo e tentei me abrir para o que me estava sendo apresentado. Se lermos com atenção, acredito que podemos tirar vários ensinamentos interessantes e colocá-los em prática no nosso dia a dia. Mas cada um tem que ler e tirar suas próprias conclusões sobre as ideias apresentadas!

Gostei, em especial, de várias partes do livro mas tive que selecionar algumas e, como de costume, separei  aqueles trechos que achei mais interessantes:

"O que ocorre é que nós, seres humanos, somos apegados às pessoas, às coisas e às situações. É comum querer que as coisas sejam permanentes. Muitas vezes, preferimos a ilusão do duradouro à realidade da mutação e impermanência. Queremos que a vida seja do jeito que idealizamos e não do jeito que ela é. Lidar com a impermanência é um exercício de aceitação da realidade." (pg. 28)

"Quem é feliz não faz comparações, não se mete na vida alheia, não compete, sabe o que é suficiência e não se deixa escravizar pelos desejos, pela cobiça." (pg. 76)

"Não é possível mudar a realidade eterna a nosso bel-prazer. (...) Na vida, as mudanças possíveis são de âmbito interno e não externo. Podemos mudar nossa forma de encarar as coisas, nossas posturas, nossos objetivos e valores, mas não podemos mudar as outras pessoas porque assim o desejamos." (pg. 110)

"Nosso desenvolvimento acontece em acúmulos constantes de informações, de experiências e de conclusões. Mas uma nova camada só pode ser acrescentada se a anterior já tiver sido formada. Só se constrói em cima de algo já existente, já consolidado." (pg. 133)

"O que quer que nos aconteça será parte de nossa história pessoal, mas não é a nossa história. Os acontecimentos de hoje serão apenas uma lembrança daqui a dois ou três anos. Vai ser apenas uma parte de um todo que é a nossa vida. Toda dificuldade é apenas um momento da vida, não é a vida em si." (pg. 143)

Sobre esta edição: OTSU, Roberto. A sabedoria da natureza. São Paulo: Ágora, 2006. 
(Este livro foi comprado pelo site Estante Virtual

Sunday, November 25, 2012

GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA FILOSOFIA - Luiz Felipe Pondé

"Nada pior do que essas pessoas que não sabem nada, mas não sabem que não sabem nada, e levam  suas vidas banais (toda vida é banal, mas a classe média com sua infinita baixa autoestima não sobrevive a esse fato) como se tivessem algum grande valor que não foi descoberto pelos outros." (Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, pg. 184). 
"Uma mentira moral é sempre uma hipocrisia." (pg. 18)

Eu estava em uma papelaria, esperando para ser atendida, quando vi esse título na prateleira. Tive curiosidade de conhecê-lo e acabei lendo algumas de suas páginas. Enquanto eu lia, e ria de alguns trechos, fui intercedida por outro cliente da papelaria que disse já ter lido e gostado bastante do livro. Fiquei encucada e tive mais vontade de lê-lo! 

A leitura é muito tranquila e o finalizei em apenas dois dias. São 230 páginas numeradas mas entre os capítulos há sempre 3 ou 4 páginas pretas ou ilustradas que não possuem texto. Então a leitura é bem rápida mesmo! 

A proposta do livro é apresentar uma crítica aos politicamente corretos e suas idéias, que muitas vezes nos emburrecem. A obra é dividida em vários capítulos, com curtos ensaios, que tratam de diferentes temas. São tópicos diversos, que fazem parte do nosso cotidiano, como sexualidade, aristocracia e ditadura. Todos são abordados visando a crítica à visão dos 'politicamente corretos'.  

É interessante de se ler. As críticas, muitas pesadas, nos apresentam as coisas sob pontos de vista diferentes. Recomendo a leitura! 

Trechos interessantes:

"Tenho medo do mundo, por isso, com a idade (hoje tenho 52 anos), tenho me tornado um homem sem muita curiosidade pelos outros, porque no fundo as pessoas são bem monótonas." (pg. 19)

"A praga PC (politicamente correto) é uma mistura de covardia, informação falsa e preocupação com a imagem. Combina com uma época frouxa como a nossa." (pg. 27) (o texto grifado foi acrescentado)

"Os melhores lideram, os médios e medíocres seguem." (pg. 38)

"Isso mesmo: força e coragem fazem as pessoas verdadeiras nas suas relações, enquanto a ausência de virtudes como essas as faz mentirosas e traiçoeiras." (pg. 42)

"... o homem da democracia, quando quer saber algo, pergunta para a pessoa do seu lado, e o que a maioria disser, ele assume como verdade. Daí que, no lugar do conhecimento, a democracia criou a opinião pública." (pg. 51)

"... quanto mais um homem ama (investe afetivamente em) uma mulher, mais ele fica inseguro e ciumento. Se seu namorado estimula você a viajar sozinha, ele provavelmente a está rifando." (pg. 85)

"A maior inimiga da beleza da mulher é a outra mulher, a feia. A condenação do uso da beleza feminina por parte das  mulheres é uma ferramenta das que não têm, por azar (a beleza ainda é um recurso contingente), acesso à beleza, seja porque são feias, seja porque (no caso dos homens), em sendo feio (ou fraco), ele não pode 'pegar' a beleza da mulher nas mãos, beijá-la ou penetrá-la." (pg. 92)

Sobre esta edição: PONDÉ, Luiz Felipe. Ensaio politicamente incorreto da filosofia, Ensaio de Ironia. São Paulo: Leya, 2012. 


Sunday, July 29, 2012

EL BOSQUE DE LOS PIGMEOS - Isabel Allende

"La reina estaba iluminada por un intenso resplandor interno. Los jóvenes la vieron tal como era y no en la forma en que había aparecido al principio, como una vieja miserable, puros huesos y harapos. En verdad, era una presencia formidable, una amazoa, una antigua diosa del bosque. Nana-Asante se había vuelto sabia durante esos años de meditación y soledad entre los muertos; había limpiado su corazón de odio y codicia, nada deseaba, nada la inquietaba, nada temía. Era valiente porque no se aferraba a la vida; era fuerte porque la animaba la compasión; era justa porque intuía la verdad; era invencible porque la sostenía un ejército de espíritus." (El Bosque de los Pigmeos)


Este é o terceiro livro que encerra a trilogia 'Las memorias del Águila y el Jaguar', elaborada por Allende, contando mais uma aventura vivida por Nadia, Alexander e Kate, juntamente com sua equipe de trabalho do National Geographic. Assim como o último livro (El Reino del Dragón de Oro) não gostei muito da história. Não me senti presa a lê-la. 

O livro trata da aventura desses personagens na África equatorial, mais especificamente, no Quênia, que vão à capital do país na intenção de escrever sobre uma reserva natural. Para chegar até a reserva, utilizaram o avião de Angie, mais uma personagem importante na trama. Fizeram suas excursões e passeios na reserva, ao lombo de um elefante. 

No decorrer da visita, encontraram o missioneiro Fernando, o qual os convenceu a irem procurar, com ele, seus companheiros missioneiros. Fernando não tinha notícia de seus colegas desde muito tempo, mas tinha indícios de onde poderiam estar. Kate, além de querer ajudar a ele, entendeu que também seria uma oportunidade de fazer uma boa reportagem. 

Durante a viagem, tiveram um problema com o avião e acabaram fazendo um pouso emergencial no meio da mata. Próximo do local buscado pelo irmão Fernando, acabaram encontrando pessoas que passavam no rio ao lado de onde o avião havia pousado. Após algumas negociações, essas pessoas concordaram em levá-los próximos à aldeia procurada. Já no caminho em terra firme, encontraram os pigmeos, que também desempenho papel importante. Estes os levaram até a aldeia almejada, que era dominada por  rei Kosongo, que com o comandante Mbembelé e o bruxo Sombe . A partir daí a história se desenrola de forma a libertar a aldeia e encontrar os missioneiros perdidos. 

Neste livro Allende deixa evidente a relação de amor existente entre Alexander e Nadia, que atingem a adolescência e começam a descobrir sentimentos diferentes da amizade. Mais sobre o livro pode ser lido em   espanhol aqui e em português aqui.

Algumas partes do livro:

"Tanto la población de Ngoubé como los pigmeos vivían en una realidad mágica, rodeados de espíritus, siempre temerosos de violar un tabú o cometer una ofensa que pudiera desencadenar fuerzas ocultas. Creían que las enfermedades son causadas por hechicería y por lo tanto se curan de la misma manera, que no se puede salir de caza o de viaje sin una ceremonia para aplacar a los dioses, que la noche está poblada de demonios y el día de fantasmas, que los muertos se convierten en seres carnívoros." (p. 207 - 208).

"Ellas también tendrían que luchar. Durante años habían soportado la esclavitud creyendo que si obedecían sus familias podrían sobrevivir; pero la mansedumbre de poco les había servido, sus condiciones de vida eran cada vez más duras. Cuanto más aguantaban, peor era el abuso que padecían." (p. 192, sobre as escravas pigmeias). 

"Los amigos se enteraron de que los espíritus rara vez intervienen en los acontecimientos del mundo material, aunque a veces ayudan a los animales mediante la intuición, y a las personas mediante la imaginación, los sueños, la creatividad y la revelación mística o espiritual. La mayor parte de la gente vive desconectada de lo divino y los minúsculos milagros cotidianos con los cuales se manifiesta lo sobrenatural. Se dieron cuenta de que los espíritus no provocan enfermedades, desgracias o muerte, como habían oído; el sufrimiento es causado por la maldad y la ignorancia de los vivos. Tampoco destruyen a quienes violan sus dominios o los ofenden, porque no poseen dominios y no hay modo de ofenderles. Los sacrificios, regalos y oraciones no les llegan; su única utilidad es tranquilizar a las personas que hacen las ofrendas." (p. 157)

Sobre esta edição: ALLENDE, Isabel. El bosque de los pigmeos. Buenos Aires: Sudamericana: 2004. 224 p.