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Wednesday, November 3, 2010

ÉTICA PARA MEU FILHO - Fernando Savater

"... diante do melhor e do pior dos seres humanos cabem diferentes apreciações ou avaliações, mas não a indiferença, pois a humanidade do outro sempre compromete a minha..." (Ética para meu filho, Fernando Savater, pg. 139).

Li o livro por indicação. A expectativa era a de que eu pudesse ter uma visão um tanto diferente das coisas e das pessoas que me cercam e, principalmente, das atitudes e escolhas que tenho e faço para comigo mesma e para com os outros. Como o próprio autor diz "este livro não é um manual de ética para adolescentes, nem um compêndio com os trabalhos dos mais destacados autores ou os mais importantes movimentos da teoria moral ao longo da história; tampouco traz respostas moralizantes para os problemas cotidianos". 

"A palavra ética se origina do termo grego ethos, que significa 'modo de ser', 'caráter', 'costume', 'comportamento'. De fato, a ética é o estudo desses aspectos do ser humano: por um lado, procurando descobrir o que está por trás do nosso modo de ser e de agir; por outro, procurando estabelecer as maneiras mais convenientes de sermos e agirmos. Assim, pode-se dizer que a ética trata do que é 'bom' e do que é 'mau' para nós." (Fonte: http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u14.jhtm; acesso em 03/11/2010)

Me foi apresentada uma nova forma de ver a vida. A ética é tida como uma maneira de se entender e buscar uma 'boa vida' dentro dos moldes 'humanos', que é o que queremos para nós mesmos. A idéia é que a ética irá delinear nossas ações, tendo sempre em consideração a liberdade e aquilo que desejamos. Como não é um livro que conta uma história, deixo abaixo algumas frases, trechos que achei interessante durante a leitura:

"Por mais que nos vejamos acuados pelas circunstâncias, nunca temos apenas um caminho a seguir, mas vários." (pg. 24)

"Às vezes os homens querem coisas contraditórias, que entram em conflito umas com as outras. É importante ser capaz de estabelecer prioridades e de impor uma certa hierarquia entre aquilo que tenho vontade imediatamente e o que quero no fundo, a longo prazo." (pg. 54)

"Só deveríamos chamar de egoísta consequente aquele que sabe de verdade o que lhe convém para viver bem e se esforça para conseguí-lo." (pg. 76)

"Responsabilidade é saber que cada um de meus atos vai me construindo, vai me definindo, vai me inventando. Ao escolher o que quero fazer vou me transformando pouco a pouco." (pg. 83)

"... o que interessa à ética, o que constitui sua especialidade, é como viver bem a vida humana, a vida que transcorre entre humanos." (pg. 86)

"Por que o prazer assusta? Suponho que seja por nos agradar demais.(...) O prazer as vezes nos distrai mais do que convém, o que pode acabar sendo fatal." (pg. 104)

Tuesday, August 31, 2010

AMNÉSIA (EUA, 2001, 120 min)

O nome real do filme é: Memento. Quem não viu o filme, não leia!!! Deixe pra ler depois! Se não perde a graça! =)

Assistimos a esse filme no fim de semana e fiquei intrigada, querendo saber se o que eu entendi era realmente o que se passou. Busquei a sinopse no site Adoro Cinema e encontrei o seguinte:
"Um ladrão ataca um casal, terminando por matar a mulher e deixando o homem à beira da morte. Porém, ele sobrevive e a partir de então passa a sofrer de uma doença que o impede de gravar na memória fatos recentes, o que faz com que ele esqueça por completo o que acontece poucos instantes antes. A partir de então ele parte em uma jornada pessoal a fim de descobrir o assassino de sua mulher para poder vingá-la". (Acesso em 31/08/2010)

Mas isso era o óbvio e eu não sei se o filme se atinha só a isso... Bom, resolvi buscar mais um pouco pra tentar corroborar a minha idéia inicial de que, na verdade, não existia nenhuma pessoa além do próprio protagonista que sofria do problema de memória - já que ele relata ao longo de todo o filme a história de Sammy, que também teria tido o mesmo problema. Ou seja, a idéia apresentada por Teddy (policial que o "ajuda") em uma das cenas do filme, em que se encontra com Leonard (protagonista) e afirma que na verdade ele mesmo é o Sammy, e que sua própria mulher era quem sofria de diabetes. E que, além disso, ele o auxiliava na busca pelo "assassino" fornecendo novas pistas. O ponto crítico é que Leonard já havia matado o verdadeiro assassino, e que Teddy o entregava outros "novos assassinos" para saciar sua sede de vingança. Como ele não se lembrava dos fatos passados, dava-se continuidade a esse ciclo de assassinatos.

Achei um blog que fala o que eu pensei! 
"Teddy explica que era o policial responsável no caso do estupro da esposa de Leonard e que o ajudou a encontrar e matar os culpados na esperança que ele se lembrasse de tudo. Mas não aconteceu. Ele não se lembrou. Muito pior, como a última lembrança que tinha era a da mulher "morta" e não da mulher vingada, ele acabou se desesperando com o fato de que ter sempre que recapitular a mesma (e única) história que tinha anotado em todos os seus arquivos. 
É nessa hora que surge a grande revelação do filme. Até agora todos pensávamos que o grande vilão do filme era Teddy ("não acredite em suas mentiras"), mas não. Impelido por seu desespero reduntante e contínuo, Lenny, em alguma de suas perdas de memória, simplesmente resolveu se dar uma nova vida e, como o próprio filme diz, se iludiu, arrancando 12 páginas do arquivo, não tatuando a vingança e misturando a sua história com a de Sammy Jankins para criar um enigma insoluvel e que desse razão à sua vida." 

Desse outro site, tirei um trecho fala um pouco sobre o filme em geral, do seu aspecto atemporal:
"Contra toda obviedade, Amnésia desmonta os elos do raciocínio linear e impede que se estabeleçam vínculos fáceis entre a contigüidade temporal e a explicação causal. Na marcha ré do tempo, o filme é uma dramática perseguição às causas das ações do seu protagonista.  No limite, trata-se de uma tentativa desesperada para oferecer sentido às ações de um homem que mesmo sem conseguir entender o significado dos seus próprios atos, quer obstinadamente alcançar uma meta futura. Entre a memória de um passado perdido e a perseguição de um destino que, sendo realizado ou não, será inexoravelmente esquecido, o protagonista está preso em um tempo eternamente atual.  Sua consciência não registra a experiência da mobilidade temporal e, portanto, o presente se lhe parece inalterado. Não que tivesse desaprendido o significado das palavras antes/passado, durante/presente, depois/futuro. Leonard não perdeu o entendimento ou a razão; e algumas de suas faculdades intelectuais permaneciam intactas. O que ele não possuía mais era a capacidade de reunir os fragmentos das suas ações emprestando-lhes algum sentido. Sabia quem era e aonde queria chegar, mas não entendia se o que acabara de fazer era compatível com sua identidade e intenção. Refém do esquecimento, Leonard perdeu a natural habilidade de compreender e explicar o fluxo do tempo." (Fonte: http://www.espacoacademico.com.br/022/22ccortes.htm. Acesso em: 31/08/2010)

Dados do filme:
Direção: Christopher Nolan
Elenco:
Guy Pearce (Leonard Shelby)
Carrie-Anne Moss (Natalie)
Joe Pantoliano (Teddy)
Mark Boone Junior (Burt)

Stephen Tobolowsky (Sammy)
Harriet Sansom Harris (Sra. Jankis)
Callum Keith Rennie (Dodd)

Larry Holden (Jimmy Grantz)
Jorja Fox (Catherine Shelby)

Monday, August 30, 2010

OS IRMÃOS KARAMÁZOV - vol.1 - Fiódor Dostoiévski

"E o principal: fuja da mentira, de toda e qualquer mentira, particularmente de mentir para si mesma. Vigie sua mentira, examine-a a toda hora, a cada minuto. Fuja também à repulsa, tanto aos outros quanto a si mesma: aquilo que a senhora, em seu próprio íntimo, acha ruim, já se purifica pelo simples fato de o haver notado dentro de si mesma. Fuja igualmente do medo, embora o medo seja apenas a conseqüência de todo erro. Nunca tema sua própria falta de coragem na tentativa de conquistar o amor, nem mesmo tema muito os próprios maus atos que aí tenha cometido..." (Irmãos Karamázov, Fiódor Dostoiévski, vol.1, pg. 93)
É um livro singular. Me apaixonei por Dostoiévski desde que li sua obra "Crime e Castigo" há alguns anos atrás. Desde então fiquei a procura de mais uma de suas obras até que, este ano, ganhei de presente "Irmãos Karamázov" em dois volumes lindos!! Este post será dedicado ao primeiro volume, que acabei de ler. O próximo post virá para dar uma visão geral da obra. 

A história como um todo é dividida em duas grandes partes, que foram subdivididas em dois livros. A primeira parte explica a história da família de Fiódor Pávlovitch Karamázov (o pai), composta por três filhos totalmente diferentes entre si. O pai se casou duas vezes. Do primeiro casamento nasceu Dmitri (Mítia), e do segundo nasceram Ivan e Alieksiêi. A esposa do primeiro casamento se sentia infeliz e fugiu para Petersburgo. A segunda esposa morreu de doença. Nessa, o pai se descuida dos filhos, que são criados por outras pessoas, em diferentes locais e condições. 

Fiódor gosta de estar com muitas mulheres e de se embebedar. Quando os filhos já estão adultos, eles voltam para "re-conhecer" o pai e passam por diversos momentos de interação e brigas. Aliócha (apelido de Alieksiêi) entra para o mosteiro e tenta levar sua vida de maneira diferente a de seus familiares. Tem grande envolvimento com o stárietz do mosteiro, com quem mantém uma forte relação de amizade e submissão. 
O autor descreve detalhadamente os pensamentos e as características de cada um dos atores envolvidos na trama. Gasta várias páginas descrevendo o raciocínio dos personagens, seus pontos de vista e ações. Estabelece um debate entre as consciências desses personagens. 

Eu gostei muito do que li até agora, apesar de algumas das vezes me parecer muito longo algum discurso e acabar me perdendo em seu raciocínio. É um livro relativamente fácil. Para quem gosta de refletir um pouco sobre a natureza humana, recomendo. 

"O escritor discute nessa obra todos os assuntos que dizem respeito à natureza humana, sobretudo o amor, a crueldade e a esperança. Há personagens tipos, há personagens humanos, demasiadamente humanos. Talvez seja isso que nos fascine em Dostoiévski: seus personagens são capazes de cometer todas as loucuras a que nós, seres humanos, estamos sujeitos." (Fonte: http://portalliteral.terra.com.br/artigos/os-irmaos-karamazov. Acesso em: 30/08/2010)

Sobre o autor:

"É tido como o fundador doexistencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a 'melhor proposta para existencialismo já escrita.'
Seus romances ocorrem em um período curto (por vezes apenas alguns dias), o que permite ao autor fugir de uma das características dominantes da prosa realista: a degradação física que ocorre ao longo do tempo. Seus personagens encarnam valores espirituais que são, por definição, atemporais. Outros temas recorrentes em sua obra sãosuicídioorgulho ferido, a destruição dos valores familiares, o renascimento espiritual através do sofrimento, a rejeição do Ocidente e da afirmação da ortodoxia russa e oczarismo."
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fiódor_Dostoiévski. Acesso em: 30/08/2010)

Algumas passagens que achei interessante do livro vol. 1:

"Na imundície é que é mais doce: todos falam mal dela, mas nela todos vivem, só que às escondidas, enquanto que eu sou transparente" (pg. 246)

"Porque a preocupação dessas criaturas deploráveis não consiste apenas em encontrar aquilo a que eu ou outra pessoa deve sujeitar-se, mas em encontrar algo em que todos acreditem e a que se sujeitem, e que sejam forçosamente todos juntos. Pois essa necessidade da convergência na sujeitção é que constitui o tormento principal de cada homem individualmente e de toda a humanidade desde o início dos tempos. Por se sujeitarem todos juntos eles se exterminaram uns aos outros a golpes de espada" (pg. 352)

"Pois que em nosso século todos se dividiram em unidades, cada um se isola em sua toca, cada um se afasta do outro, esconde-se, esconde o que possui e termina ele mesmo por afastar-se das pessoas e afastá-las de si mesmo. Acumula riqueza isoladamente e pensaÇ como hoje sou forte e como sou abastado! mas o louco nem sabe que quanto mais acumula mais mergulha em sua loucura suicida. Porque se acostumou a esperar unicamente de si e separou-se do todo como unidade, acostumou sua alma a não acreditar na ajuda dos homens, nos homens e na humanidade, e não faz senão tremer diante do fato de que desaparecerão seu dinheiro e os direitos que adquiriu." (pag. 415).

Wednesday, July 14, 2010

DEL AMOR Y OTROS DEMONIOS - Gabriel García Márquez


"Apenas se atrevió a preguntar: Y ahora? Ahora nada, dijo él. Me basta con que lo sepas"
(Del Amor y Otros Demonios - Gabriel García Márquez, pg. 146)

En el libro, el autor intenta explicar una leyenda relatada por su abuela cuando era niño y sin muchos detalles. En una visita a trabajo en un antiguo convento que fue vendido para la construción de un hotel, él encontró el cadáver de una niña que coincidía con la descripción de la chica de la leyenda. Ahí inicia su historia.

En general, se trata de la historia de una niña que é dejada por los padres a los cuidados de los esclavos de la casa donde viven. Como siempre ha convivido con las constumbres de ellos, la chica deja de conocer y respectar los habitos de "los blancos", además de aprender a la lengua de los africanos. Así que cuando es mordida por un perro rabioso, piensan que la chica va a morrir. El padre - un marqués - cuando supo del orcurrido, se mostró muy sensible y buscó un médico. Este lo dijo que la niña no presentava los señales de la enfermedad pero que podían manifestarse a cualquier momento.

Después, todavia con miedo de la muerte de la chica, el padre fue a visitar el obispo de la ciudad, que le dijo que satanas puede esconderse en las personas como se fuera una enfermedad. Y entonces lo dijo para llevar la niña a un convento donde se podrían exorcisarla. Y ahí empieza el amor de Delaura por la niña: aquél que debría exorcisarla.

"Del amor y otros demonios es una novela que te lleva a comprender la situación que se vive cuando una serie de factores no te permiten desarrollarte de acuerdo a la vida que has aprendido, cuando las creencias de otros perturban las tuyas. Nos cuenta como los prejuicios de una sociedad pueden marcar la vida de alguien sólo por ser diferente. Esta niña se crió dentro del mundo de los esclavos por dejadez de sus padres y al crecer y tener una actitud diferente y sufrir la mordedura de un perro al que se le atribuía la rabia fue juzgada como endemoniada, sin pensar que sólo había crecido en un ambiente contrario al que debió tener y con carencias afectivas. Y como se dice en el libro: Muchas veces el enemigo se vale mejor de nuestra inteligencia que de nuestros yerros, a veces atribuimos al demonio ciertas cosas que no entendemos, sin pensar que pueden ser cosas que no entendemos de Dios."
Fonte: Marta Navarro Herrera, Aceso en 14/07/2010.

Me gustó mucho!!! Y ahora va a salir su pelicula!!! =) vamos a verlo!!! El trailler yá está en el you tube!

PS. Me desculpen los errores de español!! Pueden corregirme! =)

Edicíon del libro:
Márquez, Gabriel García. Del amor y otros demonios. Debolsillo: España, 2008

Tuesday, June 22, 2010

PASSEIO AO FAROL - Virgínia Woolf

"Da mesma forma, ao se regressar de um passio, ou após uma doença - antes que os hábitos voltassem novamente a se tecer na superfície das nossas vidas -, sentia-se essa mesma surpreendente sensação de irrealidade; sentia-se algo emergir. A vida jamais era tão brilhante como nesse momento."(Passeio ao Farol, pg. 172)
Publicado em 1927, o livro "Passeio ao Farol", de Virgínia Woolf (1882 - 1941), trata da história de uma família em três momentos distintos. Inicialmente, a família completa, liderada pela mãe; em um segundo momento retrata-se a morte da mãe e dois irmãos; e num terceiro momento são apresentadas as perspectivas sobre essa família, agora liderada pelo pai. 

A autora trata de descrever minuciosamente os pensamentos de seus personagens a respeito das diferentes temáticas e pessoas que entram no enredo. De início a leitura se mostrou difícil, já que a autora passa do pensamento de uma pessoa para outra sem intervalos, além de escrever grandes parágrafos. A linguagem não é simples, mas após algumas páginas e maior intimidade com sua forma de escrita, a leitura se torna prazeroza e interessante. 

"Em seus livros mais importantes, está presente um procedimento renovador: o enredo é praticamente dissolvido, reduzindo-se a um fio mínimo, a uma espécie de atmosfera que liga as personagens. Um acontecimento exterior qualquer desencadeia idéias e seqüencias de idéias que levam a personagem a mover-se com liberdade na consciência, transitando do passado ao presente e vice-versa." (Passeio ao Farol, pg. 190). 

"Os limites da ficção realista com técnicas de simultaneidade alicerçadas naquilo que se chamou, a partir de William James, de "fluxo da consciência", permitiu-se a integração, na estrutura da narrativa, de momentos de iluminação (as epifanias de Joyce ou Proust) e criou-se, por outro lado, uma nova concepção do tempo narrativo a que já se chamou de "forma espacial do romance". Neste sentido, embora a obra tenha um plano claramente delineado, as três partes, separadas por dez anos de experiências, antes confundem do que clarificam a cronologia porque o tempo que passa, ou passou, como está sobretudo na segunda parte, não se desprega da experiência subjetiva e da memória dos personagens."

Sobre essa edição do livro: 
Woolf, Virgínia. Passeio ao farol. Círculo do livro, 1987. Coleção Grandes Autoras, capa dura.